8 Jul, 2021

Casos sociais aumentam e ocupam quase 500 camas nos hospitais

Segurança social retirou mais de 2600 doentes dos hospitais desde o início da pandemia mas o número está de novo a crescer.

Quase 500 de camas dos hospitais públicos estão ocupadas com casos sociais, havendo unidades de saúde que estão a registar um aumento destas situações depois de a Segurança Social ter retirados mais de 2.500 doentes no contexto da pandemia.

Neste momento, encontram-se 470 doentes a aguardar vaga na Rede Nacional de Camas de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e 232 pessoas a aguardar resposta social, segundo dados divulgados à agência Lusa pelos ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

No segundo trimestre de 2020, o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), registou um aumento dos internamentos por motivos sociais.

“Apesar da resposta da Segurança Social que, entre março de 2020 até à presente data, solucionou 133 situações sociais reportadas no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), existem atualmente uma média diária de 45 casos de natureza social, com alta clínica, face a um registo médio diário anterior que se fixava em 35 utentes”, refere o hospital numa resposta escrita à Lusa.

Destes 45 casos sociais, 20 utentes estão internados em entidades privadas, protocoladas e assumidas financeiramente pelo HFF, a aguardar resposta da Segurança Social. Os restantes utentes com alta clínica encontram-se internados no hospital.

Sobre o perfil dos utentes alvo de internamento social, o HFF adiantou que “é predominantemente população idosa, com frágil ou nenhum suporte familiar de retaguarda”.

“Os internamentos sociais do Hospital Fernando Fonseca correspondem em média a 10% do total da capacidade de internamento, causando um constrangimento adicional num hospital pressionado a nível assistencial, que serve mais de meio milhão de utentes”, salienta.

Já o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHUL), que engloba os hospitais São José, Capuchos, Curry Cabral, Maternidade Alfredo da Costa, Santa Marta e D. Estefânia, tem entre 70 a 80 camas ocupadas diariamente com casos sociais.

Dados do Governo indicam que, desde 09 de março 2020, foram admitidos na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados 27.690 doentes que se encontravam a aguardar vaga numa cama hospitalar.

No mesmo período, ao abrigo do programa implementado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social para altas sociais no contexto da pandemia, foram retiradas dos hospitais e colocadas em lares de idosos 2.657 pessoas, com o objetivo de libertar o maior número possível de camas hospitalares.

Esse programa continua em curso e este ano já permitiu retirar de hospitais para estruturas residenciais para idosos 1.306 pessoas.

“De igual modo, mantém-se a orientação de priorizar a colocação de doentes que aguardam vaga para a RNCCI, em internamento hospitalar”, adiantam os ministérios.

Segundo o último Barómetro de Internamentos Sociais, promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, com dados recolhidos a 17 de março, quando Portugal se encontrava no final da terceira vaga de covid-19, havia 853 camas ocupadas sem justificação clínica em 43 hospitais do SNS e Serviço Regional de Saúde da Madeira.

Os casos de internamento por motivos sociais apurados em março representavam um custo de 16,3 milhões de euros para o Estado, mas numa extrapolação para um custo anual, estas camas ocupadas por motivos sociais podem representar um custo de mais de 100 milhões de euros, refere o estudo divulgado em maio.

Ainda assim, consequência da redução do número de camas ocupadas por questões sociais em relação às identificadas na edição de 2020, o custo é bastante inferior aos quase 47 milhões de euros que custaram os 1.551 internamentos inapropriados em 2020.

LUSA

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