13 Out, 2020

Capacidade do email dos médicos foi reduzida, diz a Ordem. Ministério nega

Ordem dos Médicos diz que reduzir de 50 para 2GB a capacidade da caixa de email é mais uma barreira no contacto dos utentes com os centros de saúde.

A Ordem dos Médicos (OM) diz que a capacidade das contas profissionais de e-mail de vários médicos de família foi “drasticamente reduzida”, dificultando o contacto dos doentes com os centros de saúde, e pede explicações ao Governo.

“A Ordem dos Médicos tomou conhecimento, através das notícias e do relato de vários colegas, de que a capacidade das contas profissionais de email dos médicos de família foi drasticamente reduzida. Esta decisão unilateral e sem aviso prévio constitui mais uma barreira inadmissível ao contacto dos doentes com os seus centros de saúde e torna-se especialmente grave no contexto de pandemia que vivemos”, escreve a OM em comunicado.

“Torna-se, portanto, incompreensível, inaceitável e até mesmo intolerável esta decisão de vedar aos médicos, aos outros profissionais e aos doentes o email enquanto ferramenta de trabalho e de contacto. Numa altura em que cresce a necessidade de troca de informação clínica por via digital, reduzir de 50Gb para apenas 2Gb uma caixa de correio é um sinal de falta de conhecimento e de falta de estratégia. Se os motivos financeiros estiverem de facto na origem desta decisão prova-se, uma vez mais, o desnorte com que a saúde de todos nós está a ser gerida, ignorando-se que o dinheiro que é hoje retirado sairá mais caro no futuro”, acrescenta o organismo liderado por Miguel Guimarães.

 

Presidente dos SPMS fala em “reconfiguração” 

 

O presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) disse que a capacidade de armazenamento dos ‘emails’ dos médicos não foi reduzida, tal como denunciado pela Ordem dos Médicos, mas sim reconfigurada.

“O que aconteceu foi uma reconfiguração da forma como os serviços prestados, neste caso os serviços de licenciamento de produtos Microsoft, estão a ser entregues aos profissionais de saúde”, afirmou Luís Goes Pinheiro, na conferência de imprensa de atualização da situação da pandemia de covid-19 em Portugal.

O responsável explicou que o que houve foi uma mudança na forma como o armazenamento se processa, assim como um reforço “significativo” das ferramentas que passaram a estar disponíveis a um número “muito mais alargado” de profissionais do Serviço Nacional de Saúde.

Na semana passada, a Ordem dos Médicos queixou-se de uma redução da capacidade da caixa de e-mail dos médicos de família, considerando a decisão inaceitável e intolerável.

Até agora, adiantou Luís Goes Pinheiro, havia dois perfis mais baixos que tinham caixas de dois gigabytes e de 50 gigabytes e o que se fez foi entregar a estes perfis caixas de 52 gigabytes.

“A forma como se acede a este armazenamento é que mudou. Há dois gigas nas caixas de entrada e 50 numa caixa que é um arquivo ‘online’. Para mitigar esta fase de passagem de um modelo para o outro está a ser feito um trabalho conjunto entre a SPMS e as equipas locais, que são quem junto dos profissionais de saúde administram o correio eletrónico.”

Referindo que existiram sessões de formação, o presidente dos SPMS ressalvou que esta reconfiguração teve por objetivo garantir que há uma maior caixa de correio eletrónico para o maior número de pessoas, mas também que há um maior número de produtos acessível aos profissionais de saúde.

“No contrato anterior, apenas 24% dos utilizadores com acesso a serviços desta natureza tinham o Office ‘online’, com o Word, o Excel, o Powerpoint, tinham acesso à ferramenta de armazenamento de dados One Drive, tinham acesso ao Teams, entre outras ferramentas, designadamente em matéria de segurança”, observou.

Neste novo contrato, o que se prevê é que venha a ascender progressivamente até mais de 80% e, portanto, criando condições para que os vários profissionais de saúde, na sua plenitude, possam beneficiar de um conjunto “vastíssimo de ferramentas” de que até agora não podiam, apontou.

SO/LUSA

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