Bloco operatório do IPO de Coimbra parado devido a greve dos enfermeiros

Adesão a rondar os 90% já obrigou ao cancelamento de consultas e cirurgias. Enfermeiros exigem contratação de mais pessoal e avanços na questão da progressão das carreiras.

O bloco operatório do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra esteve hoje sem funcionar devido à greve dos enfermeiros da instituição, cuja adesão, durante a manhã, rondou os 90%, segundo fonte sindical.

“As consultas externas e o bloco operatório estiveram parados, estando os enfermeiros apenas a assegurar os exames de urgência dos meios de diagnóstico complementares”, disse à agência Lusa Ricardo Dias, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que convocou a greve. Segundo o enfermeiro, foram canceladas 12 a 14 intervenções cirúrgicas e ficaram cerca de 50 consultas por realizar.

No turno da tarde, que se inicia às 16:00, Ricardo Dias estima que a adesão seja também na ordem dos 90% dos 260 profissionais. Os enfermeiros do IPO de Coimbra estão hoje em greve para reivindicar a contratação de mais profissionais e o desbloqueio da contagem do tempo de serviço.

“Esta greve tem dois motivos fundamentais: o primeiro tem a ver com contratação de pessoal, que embora esteja a acontecer está a decorrer de forma pouco célere, e o segundo tem a ver progressão na carreira e contagem efetiva dos anos de serviço”, explicou Ricardo Dias. Em conferência de imprensa, o enfermeiro do IPO de Coimbra disse que para o hospital prestar “cuidados com qualidade e segurança, coisa que hoje em dia se exige, seriam necessários 14 novos enfermeiros”.

A contratação pouco célere de profissionais está a causar “danos, não só para os profissionais ao serviço, que são obrigados a fazer horas extraordinárias em grande número, como para os doentes, porque há cuidados que deviam ser prestados atempadamente e não são”, denuncia Ricardo Dias. “Isto é algo que deveria ser tido em conta e a tutela tem aqui um papel fundamental em acelerar esta contratação, porque com a contratação de mais 14 enfermeiros a instituição fica com rácios bem dotados”, sublinhou.

A segunda reivindicação dos enfermeiros do IPO de Coimbra prende-se com a progressão na carreira e a contagem efetiva dos anos de serviço. “A instituição não está a cumprir a lei ao não contabilizar minimamente tempo de serviço efetivo que os enfermeiros possuem para a sua colocação na carreira e no escalão remuneratório devido”, acrescentou Ricardo Dias. Como exemplo, referiu colegas com 20 anos de profissão a quem são contabilizados apenas seis anos de serviço.

Segundo Rui Dias, os enfermeiros estão em contacto com a administração do IPO de Coimbra para solucionar estas situações, que, se prevalecerem, vão originais outras formas de luta. Dos 260 enfermeiros da instituição, acrescenta, “cerca 148 não têm a contagem correta do tempo de serviço.

LUSA

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