Baixa literacia em saúde exige políticas públicas e formação de profissionais de saúde

A presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde apela a medidas conjuntas e estratégicas, face aos mais de 78% dos portugueses que apresentam níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde.

Baixa literacia em saúde exige políticas públicas e formação de profissionais de saúde

A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) manifesta a sua preocupação com os resultados do mais recente estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que revela que mais de 78% da população portuguesa apresenta níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde. Para a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, é urgente dar uma “resposta estruturada e articulada” entre os diferentes setores da sociedade portuguesa. “É fundamental que o Governo, as instituições de saúde, a academia, as escolas, os grupos comunitários e entidades públicas e privadas trabalhem de forma conjunta e estratégica para aumentar os níveis de literacia em saúde no país”.

Continuando: “Este é um apelo claro à ação e ao trabalho conjunto coordenado de vários stakeholders. Não se pode apenas dizer que se faz literacia em saúde, pois este investimento tem de ser baseado em modelos científicos que devem ser seguidos e respeitados. Há modelos específicos para que a intervenção na mudança de comportamento funcione.”

Para a SPLS, a mudança passa pela intersetorialidade: “Precisamos de vontade política efetiva e de trabalho com os decisores para intervenções que integrem não apenas a saúde, mas também o setor social, a educação e a cultura. Temos mesmo de colocar a literacia em saúde como uma prioridade nacional”.  Apesar do trabalho que ainda tem de ser feito, a SPLS reconhece que tem havido mudanças, já que os resultados melhoraram face a 2017. O novo relatório mostra que existem menos portugueses com níveis de literacia inadequada ou problemática.

Para a especialista em literacia em saúde, é preciso haver “mais compromisso das políticas públicas”, campanhas nacionais que alcancem todos os públicos, principalmente os menos instruídos, e mais formação dos profissionais de saúde. “Não basta informar a população: é urgente formar também os profissionais de saúde em comunicação clara e linguagem acessível, centrada no cidadão”, acrescenta Cristina Vaz de Almeida.

Estas mudanças devem ser acompanhadas pela consulta de entidades e de especialistas com experiências nesta área, na sua opinião. “Tenho ouvido, em todas as manifestações políticas, a importância da literacia em saúde. No entanto, a SPLS não é habitualmente integrada nestas decisões. Há algo incongruente, diria. Estamos disponíveis para o debate claro e orientador”, conclui.

Maria João Garcia

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