1 Abr, 2022

Aumento de infeções e mortes por covid-19 nos idosos atrasa alívio de medidas

As mortes rondam agora as 30 por milhão de habitantes, o que afasta Portugal do alívio de medidas. Especialistas admitem perda de eficácia da dose de reforço nos mais idosos.

A recente tendência de subida das infeções por SARS-CoV-2 em maiores de 65 anos e o consequente aumento das mortes (que se registam quase exclusivamente nesta faixa etária) poderão vir a atrasar ainda mais o alívio das medidas restritivas relativas à pandemia, nomeadamente o fim uso de máscaras na maioria dos espaços fechados.

O último relatório sobre as Linhas Vermelhas, divulgado há uma semana, alertava para a incidência elevada de casos de infeção acima dos 65 anos. “A incidência da doença acima dos 65 anos é um dos indicadores mais importantes atualmente, porque esta tem uma implicação direta no aumento de óbitos dos mais idosos. Há duas semanas, estávamos com uma média diária de 450 casos nesta faixa etária, os dados até ontem já indicavam que esta média passou para 650 casos diários” e está agora estabilizada, explicou, ao DN, o  professor Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O que se está a verificar é uma inversão de tendência, que era, até aqui, de diminuição da mortalidade por covid-19. Os óbitos rondam agora os 30 por milhão de habitantes a 14 dias, sendo que este indicador já esteve mais próximo dos 20/milhão, limiar a partir do qual o governo definiu que Portugal tem de descer para se concretizar o alívio das medidas ainda em vigor (e que, para já, se mantêm pelo menos até 18 de abril). Ora, esta meta de 20 mortes por milhão de habitantes não deve ser atingida nas próximas duas a três semanas, prevê o especialista.

Já nos dias respeito às infeções, os casos têm estado a diminuir de forma lenta (a média atual ronda os 10 mil casos diários) mas exclusivamente devido à quebra mais acentuada nas faixas mais jovens. Por outro lado, a tendência nos idosos é de aumento dos contágios, principalmente nos maiores de 80 anos, a faixa etária mais frágil. Uma das explicações é que estas pessoas já tomaram a dose de reforço há cerca de quatro meses, aponta o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, o que leva a que, por esta altura, a proteção conferida pela vacina tenha baixado significativamente. A confirmar-se esse cenário, “há um problema”, diz Carlos Antunes, alertando para a hipótese de administrar uma quarta dose nesta população mais idosa.

“Estamos numa situação de heterogeneidade na incidência em relação às faixas etárias, com algumas a descer e outras a subir, e também em relação à transmissão nas várias regiões”, realça Carlos Antunes.

SO

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