7 Fev, 2022

Aposentações de médicos de família podem bater recorde em 2022

Este ano, são mais de mil os médicos que estão em condições de sair dos centros de saúde. Recém-licenciados não são suficientes para os colmatar.

Em dezembro de 2021, mais de um milhão de pessoas inscritas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tinham médico de família atribuído. No entanto, a situação pode piorar, já que a estimativa é que, em 2022, se registe o maior número de aposentações de sempre entre estes profissionais. As estimativas, avançadas pelo Público, são apontadas pelo coordenador do grupo para a reforma dos cuidados de saúde primários, João Rodrigues.

Numa altura em que faltam 780 médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar para responder às necessidades da população residente em Portugal, o número de profissionais que podem vir a sair dos centros de saúde em 2022 – ou porque que vão atingir (ou já atingiram) a idade legal da reforma ou porque regressaram transitoriamente ao SNS e acabam os contratos temporários este ano – é de 1089.

Já em 2023, devem aposentar-se 419 médicos de família e 297 em 2024, estima João Rodrigues, que garante que os 500 jovens médicos que acabam o internato por ano não serão suficientes para equilibrar as saídas previstas, uma vez que parte deste grupo opta por não ficar no SNS.

É, assim, essencial definir uma estratégia e conjugar uma série de medidas, diz o coordenador do Grupo de Apoio Técnico à Implementação das Políticas de Saúde na área dos Cuidados de Saúde Primários. As primeiras medidas deverão começar pela atualização do Registo Nacional de Utente (RNU) e também pelos ficheiros dos profissionais, para que compreendam a sua carga de trabalho.

Segundo especifica João Rodrigues, é fundamental que se tenha uma ideia rigorosa do número de pessoas inscritas, mas que não precisam de médico de família, já que há emigrantes e residentes temporários inscritos que não frequentam os centros de saúde em Portugal, estudantes estrangeiros que depois regressam aos países de origem e até aqueles que foi necessário inscrever para a vacinação contra a covid-19.

Outra medida para reajustar a oferta à procura passa por contrariar a crescente incapacidade de retenção no SNS de uma parte substancial dos recém-licenciados. Em 2020, 28% dos jovens que acabaram o internato em medicina geral e familiar não ocuparam as vagas disponíveis nos dois concursos anuais para a colocação nas unidades dos centros de saúde e preferiram sair do SNS. Em 2021, esta percentagem ascendeu a 36,6%.

“Estamos a reter menos jovens especialistas e, como as aposentações continuam e este ano vão disparar, se todos decidirem sair, será uma desgraça completa, um drama. É preciso criar condições para muitos destes ficarem, de forma a irmos adiando o problema até chegarmos a 2025. Isto só se resolverá num ciclo de quatro anos”, defende.

João Rodrigues sugere ainda a contratação de outros profissionais, como psicólogos clínicos e nutricionistas.

SO

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