4 Nov, 2021

Absentismo dos profissionais do SNS continua a crescer mesmo após controlo da pandemia

Exaustão dos profissionais justifica os elevados níveis de absentismo, que estão acima dos valores pré-pandemia.

Os níveis de absentismo dos profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) – que bateram recordes em 2020 – continuam a crescer ao longo deste ano, mesmo após um alívio da pressão associada à pandemia covid-19. Em setembro, os dias de ausência foram 22% superiores aos do mesmo mês de 2019, avança o Público.

Como era expectável, os maiores picos de absentismo dos profissionais do SNS coincidiram com as principais vagas de covid-19. No entanto, numa altura em que a pandemia já está controlada, os valores não regressaram ainda aos níveis de 2019, ano pré-pandemia, uma vez que ainda se está a lidar, em parte, com o impacto dos períodos de maior exigência e pressão no SNS.

“Um dos efeitos da pandemia foi um aumento da prevalência do burnout nos profissionais de saúde, dos problemas mentais e mesmo dos outros problemas de saúde”, uma vez que os rastreios, “consultas, cirurgias e outros tratamentos que não foram feitos atempadamente” também afetaram quem trabalha no SNS, explicou o coordenador para a área dos cuidados hospitalares do recentemente criado Grupo de Apoio Técnico à Implementação das Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, Luís Campos.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, existem “duas dimensões” que podem justificar o elevado número de ausências. Relacionado com o óbvio impacto da pandemia, “é preciso ter em linha de conta que uma parte dos números tem que ver com o facto de os profissionais também terem tido covid ou, em caso de contacto de alto risco, terem de ficar em isolamento profilático”. Ainda, a pressão a que os profissionais têm estado sujeitos justifica as várias situações em que estes “entram em crise, quebram e ficam doentes”.

Já a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, acrescenta que além dos “cerca de oito mil enfermeiros infetados, mais de 10% do total”, o estado de exaustão a que muitos profissionais chegaram justificam os níveis de absentismo. “Tivemos uma pressão tão grande durante a parte mais dramática da pandemia que, quando esta aliviou, muitos ‘crasharam’”, comenta.

De acordo com o peso relativo dos motivos para as ausências, mais de metade das faltas foi justificada por doença (54%) e por proteção na parentalidade (31,6%), enquanto 6,85% estão associados a acidente em serviço ou doença profissional.

SO

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