2 Jul, 2026

Universidade de Coimbra investiga impacto do ‘mindfulness’ no cérebro e na saúde mental

Uma equipa da Universidade de Coimbra está a estudar os efeitos da prática de mindfulness no cérebro, na cognição e na saúde mental. O projeto pretende compreender os mecanismos envolvidos e desenvolver estratégias mais personalizadas para promover o bem-estar e a regulação emocional.

Universidade de Coimbra investiga impacto do ‘mindfulness’ no cérebro e na saúde mental

Uma equipa de investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo para compreender de que forma a prática regular de mindfulness influencia o funcionamento do cérebro, os processos cognitivos, a saúde mental e o bem-estar.

O projeto, designado MindfulBrain+, pretende analisar o impacto desta prática em funções como a atenção, o controlo cognitivo e a regulação fisiológica, bem como avaliar os efeitos da sua combinação com a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), uma técnica não invasiva que permite modular a atividade neuronal.

Em comunicado, a Universidade de Coimbra explica que, apesar de estudos anteriores apontarem para benefícios do mindfulness em redes cerebrais relacionadas com a atenção, a autorregulação e o processamento emocional, ainda não se compreende totalmente porque algumas pessoas beneficiam mais do que outras desta prática, nem quais as alterações que ocorrem simultaneamente no cérebro e no organismo.

Segundo Ana Ganho Ávila, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), um estudo publicado em 2025, envolvendo 107 adultos sem experiência prévia em mindfulness, concluiu que uma única sessão em realidade virtual não melhorou significativamente o desempenho cognitivo.

No entanto, o estudo identificou diferenças na ativação autonómica, sugerindo uma menor ativação fisiológica, associada a níveis mais reduzidos de stress, após uma única sessão de mindfulness.

Com o projeto MindfulBrain+, os investigadores pretendem aprofundar este conhecimento através de uma abordagem integrada, combinando o registo da atividade cerebral por espetroscopia funcional de infravermelho próximo com a avaliação de indicadores fisiológicos, como a atividade cardíaca e a resposta autonómica.

A investigação inclui ainda a comparação entre os efeitos da prática de mindfulness, da estimulação cerebral não invasiva e da combinação de ambas as abordagens.

De acordo com Ana Ganho Ávila, esta metodologia permitirá compreender melhor os mecanismos que relacionam mindfulness, cérebro, corpo e cognição, contribuindo para o desenvolvimento futuro de estratégias mais personalizadas destinadas a promover processos cognitivos envolvidos na regulação emocional e em sintomas frequentemente associados às perturbações de ansiedade e depressão.

A equipa encontra-se atualmente a recrutar voluntários para uma fase do estudo dirigida a pessoas com experiência consistente na prática de mindfulness. Podem participar adultos entre os 18 e os 65 anos, fluentes em português.

O projeto é financiado pela Fundação BIAL e reúne investigadores da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Laboratório de Estimulação Cerebral Não Invasiva da Faculdade de Medicina da Universidade de Göttingen, o Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a REACH – Clínica de Saúde Mental, sediada no Porto.

 

LUSA/SO

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