Reabilitação respiratória chega a apenas 1% dos doentes e especialistas pedem alargamento aos cuidados primários
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta que a reabilitação respiratória, apesar dos benefícios clínicos e funcionais, está disponível para apenas 1% dos doentes. A entidade defende a sua expansão para os cuidados de saúde primários, redes comunitárias e domicílios.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) lamenta que a reabilitação respiratória, apesar dos benefícios na redução de sintomas e na prevenção de idas à urgência, esteja atualmente acessível a apenas cerca de 1% dos doentes.
Em comunicado, a SPP defende que estes programas devem deixar de estar centrados exclusivamente nos hospitais e ser alargados aos cuidados de saúde primários, redes comunitárias e até ao domicílio, de forma a melhorar o acesso.
A intervenção inclui exercício físico, técnicas respiratórias, educação para a saúde, apoio à mudança de comportamentos e acompanhamento nutricional, com impacto direto na qualidade de vida dos doentes.
Citado no documento, Carlos Figueiredo, do grupo de trabalho de Reabilitação Respiratória da SPP, defende a necessidade de evoluir de um modelo centrado em centros especializados para uma abordagem mais descentralizada e integrada.
O especialista sublinha que os cuidados de saúde primários e as redes comunitárias podem desempenhar um papel relevante na expansão destes programas, desde que exista formação adequada e articulação com os hospitais e centros especializados.
A SPP destaca ainda que os benefícios da reabilitação respiratória são amplos, incluindo melhoria dos sintomas, aumento da capacidade de exercício e melhor qualidade de vida.
Segundo a entidade, estes programas estão associados à redução das exacerbações da doença, das hospitalizações e das idas à urgência, além de contribuírem para menor absentismo laboral e escolar.
Em alguns casos, existem ainda dados que sugerem impacto na redução da mortalidade, acrescenta a sociedade científica.
A reabilitação respiratória é considerada uma intervenção com forte evidência científica na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), tanto em fases estáveis como em exacerbação, sendo também útil noutras doenças respiratórias crónicas.
A SPP sublinha ainda que estes programas apresentam uma elevada relação custo-efetividade e podem ser aplicados em contexto de internamento, incluindo enfermarias e unidades de cuidados intensivos, contribuindo para melhores resultados clínicos.
LUSA/SO
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