Portugal no centro da Medicina Geral e Familiar
Secretária da APMGF; Diretora do Jornal Médico de Família

Portugal no centro da Medicina Geral e Familiar

O ano de 2025 parece ter começado de forma desafiadora, no mundo, e na Medicina Geral e Familiar (MGF) em Portugal.

A falta de médicos de família no Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a ser tema nos jornais e alvo de debate na sociedade civil. Nos locais de trabalho persistem os desafios diários para uma prática de medicina de proximidade, com qualidade técnico-científica e empatia. Por vezes, pode parecer difícil manter a motivação num sistema que não valoriza devidamente os seus profissionais de saúde.

Não obstante as dificuldades e constantes reptos, continuamos a fazer a diferença e a provar que um SNS assente em cuidados de saúde primários robustos modifica a qualidade de vida e longevidade da nossa população.

Embora possamos ser um país pequeno no contexto global, em setembro de 2025 Portugal será o centro do mundo da Medicina Geral e Familiar. Lisboa sediará a conferência mundial da WONCA – Organização Mundial dos Médicos de Família, num evento coorganizado pela APMGF – Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e WONCA Europa. Em Portugal, reunir-se-ão colegas de todo o mundo, partilhando conhecimentos e práticas clínicas diversas; abordando desafios idênticos e construindo soluções; percebendo que na diferença se encontram pontes e novas ideias para melhorar realidades que podem ter tanto de distinto como de comum.

Neste evento, nunca realizado em Portugal, vão cruzar-se resultados de múltiplas investigações científicas e práticas inovadoras que podem ser aplicadas em diferentes contextos globais, melhorando a qualidade dos cuidados de saúde primários. A partilha de experiências irá contribuir para a inovação em MGF, contribuindo para a melhoria da saúde global e fortalecimento dos sistemas de saúde.

Esta conferência mundial será uma oportunidade única de atualização profissional, mas também de criação de redes de contacto entre profissionais de saúde, promovendo colaborações internacionais e o intercâmbio de experiências e conhecimentos.

O sentido de pertença à “melhor especialidade do mundo” e a realização de que partilhamos obstáculos semelhantes, irão sem dúvida contribuir para que possamos, de certo modo, reconciliar-nos com a nossa realidade sem, contudo, nos acomodarmos. Porque os médicos de família continuarão na linha da frente dos cuidados aos seus pacientes e na defesa de uma medicina humanizada, atualizada e integral.

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