27 Fev, 2026

Jornadas Multidisciplinares de MGF apostam em temas emergentes e no reforço da comunidade médica

Entre 19 e 21 de março, o Porto recebe a 8.ª edição das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, um encontro que volta a colocar no centro da discussão científica áreas emergentes e desafios atuais da prática clínica, promovendo simultaneamente a partilha e o fortalecimento da comunidade médica.

Jornadas Multidisciplinares de MGF apostam em temas emergentes e no reforço da comunidade médica

As Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar (MGF) regressam ao Porto, entre 19 e 21 de março, com um programa científico orientado para temas relevantes e, em vários casos, ainda pouco abordados na formação contínua dos médicos de família. A 8.ª edição do evento pretende responder às necessidades reais da prática clínica e acompanhar as tendências atuais da especialidade, explica o médico de família Rui Costa, copresidente das jornadas.

Mas, além da dimensão científica, o evento assume-se também como um espaço privilegiado de encontro e fortalecimento da comunidade de médicos de família. “Desenvolvemos um programa com um equilíbrio entre experiência e inovação, juntando a maturidade dos profissionais mais experientes com a energia e a criatividade das novas gerações”, sublinha Rui Costa.

Acrescenta ainda que essa diversidade se reflete também na equipa organizadora e na participação de médicos de diferentes regiões do país, promovendo a troca de experiências, a cooperação e a partilha de conhecimento. “Tudo isto pretende ter um impacto real na prática clínica diária do médico de família e traduzir-se em melhores cuidados de saúde para a população.”

Além de Rui Costa, o projeto é também presidido pelos médicos de família Manuel Viana e Paulo Pessanha.

Temas transversais à prática clínica
É precisamente a partir dessa lógica de proximidade com a prática clínica que nasce a seleção dos temas científicos desta edição. Entre os destaques está a Pedopsiquiatria, uma área que, apesar de pouco discutida na Medicina Geral e Familiar a nível nacional, assume crescente importância. “A patologia mental em crianças e jovens tem aumentado, sobretudo após a pandemia, e esta mesa continua a ser extremamente atual”, afirma. Na área da Oncologia, será abordado um tema menos habitual nestes encontros: a vigilância da pessoa com doença oncológica. “Vamos falar do acompanhamento, gestão das comorbilidades e da monitorização dos efeitos secundários da quimioterapia, sabendo que muitos destes doentes recorrem também ao seu médico de família”, acrescenta.

O programa científico integra ainda temas como as cefaleias e atualizações em Ginecologia, assim como uma abordagem menos habitual da Endocrinologia. “Vamos focar-nos no que o médico de família deve saber sobre o manuseamento da aldosterona, do cortisol e da testosterona”, explica Rui Costa. A estas áreas juntam-se temas novos nas jornadas, como a Proctologia, a abordagem à tosse crónica, a utilização dos anti-inflamatórios não esteroides na prática clínica e a Medicina do Viajante, uma área que considera “cada vez mais relevante face ao aumento da mobilidade das pessoas”. Serão ainda discutidas as intolerâncias e alergias alimentares em idade pediátrica, asma, tricologia e realizada uma mesa-redonda dedicada à cirurgia vascular de consultório e outra de hematologia de consultório.

Antes do arranque oficial, na tarde do dia 18 de março os cursos pré-jornadas voltam a assumir um papel formativo relevante, com temas escolhidos pela sua aplicabilidade prática. “A obesidade é uma área com muitas novidades e um desafio crescente, dada a sua elevada prevalência na população portuguesa”, refere Rui Costa, que destaca também o curso dedicado à microbiota e ao microbioma, “cuja importância na génese de várias doenças é cada vez mais reconhecida”.

O programa inclui ainda dois cursos de formação em áreas complementares à clínica, como a gestão de equipas e a gestão de conflitos. “Os conflitos com utentes e entre profissionais são cada vez mais frequentes, e saber geri-los corretamente é fundamental, sobretudo no atual contexto de organização dos cuidados de saúde primários”, salienta.

Expectativas elevadas
A organização espera, este ano, números semelhantes aos da edição anterior, que contou com cerca de 3.200 participantes, entre formato presencial e virtual. Segundo Rui Costa, a médio prazo, o objetivo passa por consolidar as jornadas como um marco educacional da Medicina Geral e Familiar. “Queremos manter a sustentabilidade do projeto, a qualidade científica e o reconhecimento junto dos médicos de família”, afirma Rui Costa. Para o especialista em Medicina Geral e Familiar, a acreditação científica pela UEMS “valida o rigor e a qualidade dos conteúdos” e confirma que as jornadas se mantêm como uma referência formativa, com impacto direto na prática clínica e nos cuidados de saúde da população.

 

Sílvia Malheiro

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