15 Set, 2025

Estudo conclui que sensibilizar pais não reduz risco de obesidade infantil

Um estudo internacional publicado na revista The Lancet conclui que programas de sensibilização dirigidos a jovens pais não têm impacto significativo na prevenção da obesidade infantil, apelando a políticas públicas mais ambiciosas para travar um problema em rápido crescimento mundial.

Estudo conclui que sensibilizar pais não reduz risco de obesidade infantil

Informar os pais sobre a importância de uma alimentação equilibrada e de estilos de vida saudáveis não reduz a probabilidade de as crianças virem a sofrer de obesidade, segundo um estudo agora publicado na revista médica The Lancet.

A investigação, conduzida por uma equipa internacional e coordenada pela investigadora alemã Anna Lene Seider, analisou os resultados de 17 programas de sensibilização implementados em oito países desenvolvidos – entre eles Austrália, Estados Unidos, Itália e Reino Unido. Estes programas incluíam desde sessões de treino ao ar livre a visitas domiciliárias, com foco na nutrição, na atividade física ou na redução da exposição a ecrãs.

Apesar da diversidade, os investigadores concluíram que, em geral, não houve diferenças relevantes entre o índice de massa corporal (IMC) das crianças cujos pais participaram nos programas e o das que não tiveram essa intervenção, quando chegaram aos dois anos de idade.

“Os programas destinados a jovens pais não são eficazes, o que é surpreendente e desanimador”, resumem os autores, considerando a ineficácia uma deceção, dado o investimento científico e financeiro associado.

O estudo surge numa altura em que a obesidade infantil cresce a um ritmo preocupante. Dados recentes da UNICEF indicam que, entre 2000 e 2022, o número de crianças e adolescentes dos 5 aos 19 anos com excesso de peso duplicou, passando de 194 para 391 milhões, e os casos de obesidade triplicaram, atingindo 163 milhões em 2022.

Os autores sublinham que a luta contra a obesidade não pode depender apenas de mudanças individuais de comportamento e defendem políticas públicas mais abrangentes, como o aumento do acesso a alimentos saudáveis, a criação de mais espaços verdes e a regulação da publicidade a produtos alimentares nocivos.

Embora reconheçam que ainda é cedo para conclusões definitivas – já que os dados se baseiam em crianças muito pequenas –, os investigadores planeiam acompanhar estas coortes ao longo do tempo para avaliar se os resultados se mantêm em idades mais avançadas.

LUSA/SO

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