Cuidados Paliativos. Missão em Cabo Verde reforça resposta e é exemplo para Portugal
Os Cuidados Paliativos em Cabo Verde têm avançado muito graças à partilha e à formação de portugueses, mas o trabalho desenvolvido até ao momento também é exemplo para Portugal, segundo o médico paliativista Hugo Ribeiro.

Com o intuito de ajudar a desenvolver os Cuidados Paliativos em Portugal, a IM3M concluiu mais uma missão em Cabo Verde. Mas não se limitou a partilhar conhecimento, também trouxe ideias para o país.
“Foram dias de aprendizagem e partilha intensos. Portugal e Cabo Verde saem reforçados, porque se é verdade que Cabo Verde conseguiu aumentar a sua resposta nesta área em mais de sete vezes em 2 anos, Portugal também terá de repensar o seu modelo, aproximando-se do trabalho realizado em Cabo Verde, que se baseia em valor acrescentado em saúde, em objetivos e em resultados”, afirma Hugo Ribeiro, médico paliativista.
Durante a missão, que decorreu ao longo de vários dias, foram observados mais de 150 doentes – cerca de 30% em consultas de Cuidados Paliativos e os restantes em contexto de urgência e enfermaria de diferentes especialidades. No total, foram discutidos mais de 150 casos clínicos em reuniões com equipas de Medicina Interna, Cuidados Intensivos, Cirurgia, Ortopedia, Medicina Geral e Familiar e com as equipas de Cuidados Paliativos da Região Sanitária de Santiago Norte.
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Nos mais de 100 casos reavaliados, entre dois dias e uma semana após a intervenção inicial, registou-se uma melhoria média de 90% no controlo de sintomas como dor, falta de ar, ansiedade, angústia, agitação, náuseas, vómitos e obstipação. “A qualidade de vida, medida pela escala Palliative Outcome Scale (POS), melhorou em cerca de 50%”, salienta.

A agenda incluiu, ainda, reuniões com o Ministro da Saúde, a Direção Clínica e o Conselho de Administração do Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, a Ordem dos Médicos, direções clínicas regionais, centros de saúde e várias especialidades hospitalares. Nesses encontros, foram partilhados dados e estudos desenvolvidos por equipas de investigação em Portugal, em colaboração entre as Faculdades de Medicina de Coimbra e do Porto e da ULS Gaia/Espinho.
Foi também ministrado um minicurso sobre dor a mais de 60 profissionais do hospital cabo-verdiano e estruturada a base de dados para o projeto de doutoramento de Valéria Semedo, coordenadora nacional de Cabo Verde dos Cuidados Paliativos, financiado com uma bolsa de 12 mil euros pela IM3M.
A missão resultou ainda na definição de metas para 2026, incluindo a criação de uma pós-graduação em Cuidados Paliativos na Universidade de Cabo Verde, o apoio a três novos doutoramentos de médicos cabo-verdianos e a implementação de objetivos clínicos e organizacionais a nível nacional.
Atualmente, Cabo Verde consegue prestar cuidados paliativos a cerca de 700 doentes por ano – sete vezes mais do que há dois anos -, correspondendo a 40-50% das necessidades estimadas. O modelo, assente em valor acrescentado em saúde e em resultados mensuráveis, poderá servir de exemplo para Portugal, de acordo com Hugo Ribeiro.
Maria João Garcia
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