
Coordenador, USF Esgueira +; Docente do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro
Celebrando o Médico de Família em 2025: Resiliência e Humanidade
O Dia Mundial do Médico de Família, celebrado a 19 de maio de 2025, pretende reconhecer o papel dos MF que, em equipa com outros profissionais, tecem a rede de saúde que ampara a vida de tantas famílias. Este ano, o tema da campanha escolhido foi: “Construir Resiliência Mental num Mundo em Transformação”. Uma mensagem pertinente em tempos tão exigentes.
É verdade que a medicina na sua componente indissociável de ciência complexa e arte sempre impôs desafios a quem cuida do outro. E, de geração em geração se repete o mantra de alguns que invocam um passado dourado que nunca existiu, enquanto mergulham em premonições sombrias. Não obstante, é inegável que ser médico de família em 2025 tem desafios particulares. Vivemos numa sociedade cada vez mais fragmentada, dividida em tribos que parecem afastar-se cada vez mais da noção de fraternidade e de comunidade, colocando alguns cada vez mais à margem.
A geopolítica tem um xadrez novo feito de regras antigas, com seus homens fortes e impérios modernos liderados por CEOs de multinacionais mais influentes do que Estados, que promovem a ideia de que só os mais fortes vencem, reforçando a competição e a desconfiança.
A fragilidade física e mental é cada vez mais rotulada como uma fraqueza a superar com meras frases positivas. Felizmente, há cada vez mais figuras mediáticas a referir abertamente a doença mental. Como referiu o Professor Doutor Daniel Sampaio, “Fala-se mais de saúde mental”. Mas, acrescenta o distinto psiquiatra. “ainda há um longo caminho a percorrer”. E é precisamente nesse caminho que o médico de família se torna indispensável no cuidado em proximidade e em continuidade. Mas para exercermos bem o nosso papel, os MF precisam de ser apoiados pela comunidade que cuidam e pelas instituições onde exercem a sua profissão.
A WONCA – World Organization of Family Doctors (Organização Mundial de Médicos de Família) promove uma rede global de apoio entre pares que fortalece a comunidade de medicina familiar, assegurando que os médicos se sintam valorizados e ligados, o que, em última análise, melhora os cuidados aos doentes e a saúde pública.
Aos nossos líderes fica a pergunta: vamos cuidar de quem cuida?
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