3 Fev, 2024

Sexualidade

A radioncologista e sexóloga Mafalda Cruz, do IPO Porto, vai participar na mesa sobre “Preocupações de médicos e doentes”. A sua palestra irá focar-se no tema da sexualidade, que ainda gera dúvidas.

Sexualidade

O tema da sexualidade ainda gera alguns tabus entre doentes e profissionais de saúde, sobretudo na área da Oncologia. Para desmistificar algumas ideias pré-concebidas, Mafalda Cruz vai apresentar alguns estudos e tecer algumas considerações sobre esta temática.

Uma das dúvidas mais comuns é se o doente que está a fazer quimioterapia pode ter relações sexuais. Para a radio-oncologista, é importante que se transmita que o tratamento não é impeditivo. Contudo, exige algumas cautelas. “Pode-se ter atividade sexual, mas deve-se alertar a doente que está imunodeprimida, mais suscetível a infeções, e que é preciso utilizar métodos contracetivos de barreira.”

Além disso, acrescenta, “o próprio parceiro (ou parceira) está em risco de se expor aos fármacos da quimioterapia durante a troca de fluidos”.

Quanto à relação sexual em si, Mafalda Cruz lembra que para muitas doentes a penetração poderá ser “muito dolorosa e desagradável” quando estão a fazer tratamento, daí se dever incentivar a novas formas de intimidade. “Existe a tendência de se deixar de ser casal e de existir apenas uma ligação de doente-cuidador, o que não é benéfico.”

O uso de métodos contracetivos é também uma mais-valia por causa do risco de gravidez.

Outra questão que gera alguma controvérsia é a prescrição de terapia hormonal de substituição por causa do receio de recidiva. Para a médica, esta ideia deve ser desmistificada, na medida que há estudos recentes que a contradizem. “Não há problema em indicar um tratamento hormonal local, como estrogénios, para a atrofia vulvovaginal, que provoca secura vaginal e dispareunia.”

Mafalda Cruz espera, com a sua intervenção, que se olhe para a sexualidade como algo normal da vida de uma paciente com cancro da mama, mesmo que a vida sexual sofra adaptações. “Este tempo de qualidade pode ser importante e a doente tem direito em saber que pode este tipo de intimidade, se assim o entender”, conclui.

MJG

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