Estudo da Universidade do Minho revela: 86% dos enfermeiros do SNS assumem trabalhar sob stress

Quando inquiridos sobre os possíveis problemas que podem contribuir para esta situação, verificaram-se como principais fontes de stress, o modo de lidar com clientes (69.2%), excesso de trabalho (63.4%) e, por último a carreira/remuneração (67.1%)

Os resultados do estudo “Stress ocupacional em profissionais de saúde”, realizado por Heitor Manoel Frazão Lopes, no âmbito de uma tese de mestrado, revelam que mais de 86% dos enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) inquiridos, assume trabalhar sob stress.

Participaram no inquérito que suportou o estudo 2.302 enfermeiros a trabalhar em instituições do SNS, dos quais 82,3% mulheres, entre os 21 e os 66 anos.

A maioria dos inquiridos (57,1%) trabalhava em contexto hospitalar, sendo principalmente enfermeiros especialistas (36,3%), seguindo-se a emergência e os cuidados intensivos (11,1%). No momento em que foi realizado o inquérito, mais de 64% dos profissionais trabalhava por turnos rotativos e a maioria (69,5%) possuía contrato de trabalho por tempo indeterminado.

A identificação das principais fontes de stress, a prevalência de stress ocupacional, “burnout” (esgotamento) e a saúde geral nesta classe profissional foram os principais objetivos do estudo, realizado na Escola de Psicologia da Universidade do Minho e cujos resultados foram publicados no prestigiado “Western Journal of Nursing Research”.

No que respeita ao stress e burnout, que têm sido apontados como as áreas que provocam maior impacto negativo, quer no bem-estar físico quer no bem-estar psicológico dos profissionais de saúde, os resultados obtidos mostram que quanto ao nível de stress global destes profissionais, 49.1% dos inquiridos referiram stress moderado e cerca de 37.3% um estado de stress elevado face à sua profissão. Quando inquiridos sobre os possíveis problemas que podem contribuir para esta situação, foram referidas como principais fontes de stress, o modo de lidar com clientes (69.2%), o excesso de trabalho (63.4%) e, por último, a carreira/remuneração (67.1%).

Já em situação de burnout, designadamente em estado de exaustão emocional, referiram encontrar-se 17,8% dos profissionais que integraram a amostra.

A aplicação do General Health Questionnaire (G.H.Q.-12) para a perceção de saúde revelou ainda que que 20.1% da população inquirida apresentava problemas psiquiátricos. Um resultado em linha com os obtidos em outros estudos nacionais e internacionais, que mostram que “o stress ocupacional pode ser a principal causa de depressão ou de agravamento da doença”, refere Heitor Lopes nas conclusões do trabalho.

De acordo com o investigador, nas últimas décadas têm sido desenvolvidas e aplicadas diversas estratégias de gestão de stress ocupacional, com o objetivo de educar as pessoas sobre a natureza e o impacto desse stress nos próprios e na sua atividade laboral. Isto porque, diz, “as consequências negativas do stress ocupacional têm impacto na insatisfação/realização, no desinteresse, na desmotivação, na exaustão emocional e física. Podendo assim, dar origem a problemas individuais e organizacionais, tais como a menor qualidade dos serviços prestados; a diminuição do desempenho; o absentismo e a diminuição progressiva dos lucros”.

“Os resultados deste estudo reforçam a necessidade de haver um maior investimento financeiro e estrutural em comportamentos individuais e organizacionais que previnam o stress ocupacional, aumentando assim no indivíduo e na organização a saúde, o rendimento e o lucro”, conclui Heitor Lopes.

SO/MMM

 

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