19 Nov, 2021

75% dos hospitais têm problemas graves de rotura de medicamentos

Quase metade das unidades hospitalares garantem que a rotura afeta todos os tipos de fármacos.

As roturas de medicamentos são um problema grave para três em cada quatro hospitais e quase metade diz que afeta todos os tipos de fármacos, segundo um relatório.

O Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar, promovido pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), indica que, apesar de tudo, este valor baixou relativamente aos dados de 2018, quando era um problema grave para a totalidade das instituições.

As roturas graves de medicamentos e o facto de a utilização de medicamentos não ser baseada em resultados reais são as dimensões que apresentam valores mais baixos no índex, que para 2020 se situa nos 66%.

Além das roturas há também a incapacidade que atualmente as instituições têm para medir os resultados dos medicamentos, ou seja, não basta termos acesso a um medicamento (…), importa perceber se esse medicamento está a ter resultados clínicos para o doente”, explicou o presidente da APAH.

Alexandre Lourenço lamenta que, apesar da legislação e da própria vontade da agência reguladora (Infarmed), ainda não se consiga avaliar realmente os efeitos dos medicamentos que estão a ser usados, particularmente os muito dispendiosos.

Um em cada três hospitais abrangidos neste relatório considera que as roturas afetam apenas medicamentos genéricos, mas 44% dizem que afetam todos os medicamentos (eram 26% em 2018). Metade diz que acontecem mensalmente e 30% semanalmente.

Este trabalho, que teve a coordenação científica da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e o apoio da Ordem dos Farmacêuticos, refere ainda que, dos que monitorizam os resultados das novas terapêuticas, apenas 28% efetuam análises de dados relativos à utilização dos medicamentos em contexto de vida real.

Na identificação das barreiras ao acesso do medicamento, o documento aponta a carga administrativa (70%), a ineficiência dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (50%) e a falta de verbas disponíveis (37%).

LUSA

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