70% dos portugueses acredita que o Governo não prioriza a saúde

Segundo o projeto 3F - Financiamento, Fórmula para o Futuro, a maioria dos portugueses acredita não ser possível melhorar o Serviço Nacional de Saúde sem investimento.

A maioria dos portugueses (61%) inquiridos no projeto 3F – Financiamento, Fórmula para o Futuro acredita que para melhorar o SNS existe a necessidade de um maior investimento, quer na contratação de profissionais quer na modernização dos equipamentos.

Para chegar a tal conclusão, o projeto, liderado Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e apoiado por empresas da indústria farmacêutica e das tecnologias em saúde, fez um inquérito à população nacional cuja base assenta em recomendações de peritos em saúde.

O estudo aponta ainda que cerca de 70% (mais precisamente, 74%) da população objeto de estudo considera que a saúde não é uma prioridade para o Governo em Portugal. Além disso, para os inquiridos os aspetos que têm uma maior carência de financiamento na saúde são a contratação de mais profissionais de saúde, a aquisição de novos equipamentos, uma melhoria das instalações das unidades de saúde e tratamento e apoio adequados tanto para o doente quanto para a respetiva família.

Os que entendem que a saúde não constitui uma área prioritária para o Governo dão como indicador a “pouca preocupação com a saúde dos utentes”, os “tempos de espera longos”, a “falta de médicos/profissionais de saúde” e também um “baixo investimento na saúde”. Estes criticam sobretudo o tempo de espera para cirurgias e para as primeiras consultas de especialidade, sendo que, neste universo, aqueles que residem no interior do país são mais críticos do acesso ao Serviço Nacional de Saúde do que os que vivem no litoral.

Na sua última visita ao hospital, cerca de nove em cada dez inquiridos recorreram ao serviço público, mas quase 30% diz que escolheu uma unidade do SNS por ser mais barato do que o privado. Aliás, os inquiridos caracterizam os hospitais privados como mais rápidos e com melhor atendimento, avaliando-os melhor em variados critérios do questionário. No entanto, no que respeita à competência e conhecimentos dos profissionais de saúde a diferença entre público e privado é quase nula.

É nos tempos de espera para consultas e exames que os hospitais públicos surgem mais penalizados na avaliação comparativa com as unidades privadas.

O projeto ‘3F – Financiamento, Fórmula para o Futuro’ nasceu da necessidade de identificar formas de reduzir o desperdício e promover a inovação no SNS. Para além da auscultação à população, reuniu um conjunto de especialistas de diferentes áreas, que se juntaram para analisar o modelo atual de financiamento dos hospitais portugueses, promover a discussão de potenciais soluções de financiamento e desenvolver projetos-piloto com hospitais de forma a testar as soluções encontradas.

As conclusões deste estudo serão hoje apresentadas na Assembleia da República, numa iniciativa que contará com a participação do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, da ministra da Saúde, Marta Temido, e dos restantes representantes dos diversos grupos parlamentares.

Erica Quaresma (com Lusa)

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