“500 mil utentes já optaram por uma consulta fora do seu hospital de referência”, adianta Ricardo Mestre

A 10ª Edição do Fórum do Medicamento trará este ano à discussão a liberdade de escolha e a equidade de acesso do cidadão ao medicamento. Em entrevista ao Saúde Online, um dos vogais da ACSS, Ricardo Mestre, fala sobre os desafios que o setor da saúde atravessa e indica o caminho para a sustentabilidade do SNS,

A iniciativa anual da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que visa contribuir para o conhecimento e partilha de boas práticas na área da gestão do medicamento, pretende assim, nas palavras de Alexandre Lourenço, Presidente da APAH “reforçar a crucial importância de fomentar mecanismos que promovam a participação do cidadão e garantir que os cuidados de saúde são desenhados com e à medida das necessidades dos doentes e das suas famílias”.

O X Fórum do Medicamento acontece no hoje, no Centro Cultural de Belém, entre as 9h00m e as 13h00m, com o patrocínio da AstraZeneca. Para além do tema já referido, destaque ainda para temas como modelos de financiamento inovadores, que contará com a intervenção do Professor Antoine Georges-Picot, Presidente da consultora francesa Government Healthcare, e a apresentação de projetos de melhoria de acesso aos cuidados de saúde na área oncológica relativos ao Hospital Beatriz Ângelo e ao IPO-Porto. O evento contará com oradores nacionais, mas também com a participação de especialistas internacionais.

 

3 Perguntas a… Ricardo Mestre

 

Saúde Online | Vai intervir no X Fórum do Medicamento com o tema “A atualidade no financiamento da saúde em Portugal”. Que desafios se colocam a este nível? É inevitável termos um SNS sucessivamente subfinanciado nos próximos anos?

Dr. Ricardo Mestre | Em Portugal, assim como em todos os países desenvolvidos, o setor da saúde enfrenta desafios relacionados com o aumento das necessidades em saúde, em resultado do envelhecimento da população, do crescimento da carga de doença e do aumento das expetativas e exigências dos cidadãos, entre outros fatores. Esta realidade tem vindo a criar uma pressão crescente sobre os serviços de saúde, traduzida no aumento da procura por parte dos cidadãos e, no caso português, no crescimento anual dos níveis de acesso e de atividade assistencial realizada pelas entidades do Serviço Nacional de Saúde.

O Orçamento do Estado para 2019 reforça as verbas atribuídas ao Ministério da Saúde, à semelhança do que já tinha acontecido nos últimos anos. Este é um caminho a aprofundar nos próximos anos, de forma a responder cada vez mais e melhor às necessidades em saúde das pessoas e a fazer face às necessidades de investimento e de acréscimo de despesa no setor, essencialmente associada ao aumento do número de profissionais de saúde, à reposição das suas condições salariais e à introdução de inovação terapêutica.

SO | Quanto ao tema da liberdade de escolha, que balanço faz da aplicação da lei (de 2016) que estabeleceu o livre acesso dentro do SNS, dando a cidadãos a possibilidade de escolherem onde pretendem ser tratados? Tem dados atualizados sobre o número de utentes que já escolherem ser seguidos numa consulta num hospital fora da sua área de residência?

Dr. Ricardo Mestre | O mecanismo de livre acesso e circulação de utentes no SNS iniciou-se em junho de 2016 e permite que o utente, em conjunto com o seu  médico de família, possa escolher livremente o hospital do Serviço Nacional de Saúde onde pretende ser seguidos, de acordo com as suas preferências e interesses individuais.  A livre escolha é também uma oportunidade para os hospitais do SNS continuarem a aumentar a qualidade e a eficiência das suas respostas, tornando-se cada vez mais atrativos e oferecendo aos cidadãos os cuidados que eles procuram, em tempo adequado.
Até agora, cerca de 500 mil utentes já optaram por uma consulta fora do seu hospital de referência.

SO | Que medidas considera serem as mais importantes a tomar para podermos garantir a sustentabilidade do SNS?

Dr. Ricardo Mestre | É importante continuar a aprofundar as medidas que têm vindo a ser implementadas no âmbito da promoção da saúde, da prevenção da doença, da deteção precoce, do reforço dos cuidados preventivos e da gestão da doença crónica.

É também fundamental reforçar o envolvimento dos cidadãos e da comunidade na definição dos modelos de prestação de cuidados, encontrando as soluções mais adequadas e efetivas para responder às necessidades em saúde que cada pessoa vai tendo ao longo do seu percurso de vida.

Para além disso, é necessário continuar a trabalhar na melhoria contínua da eficiência associada à prestação desses cuidados de saúde, partilhando recursos e rentabilizando a capacidade instalada no Serviço Nacional de Saúde, eliminando as tarefas que não demonstrem valor acrescentado e aumentando a qualidade e a capacidade resolutiva dos cuidados de proximidade, nomeadamente dos cuidados de saúde primários.

Saúde Online

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