4 Mai, 2022

Utentes sem médico de família já ultrapassam valor de 2015, quando o governo tomou posse

Há cerca de um milhão e 300 mil utentes a descoberto, isto é, 12,3% do total de inscritos. Situação na região de Lisboa e Vale do Tejo é a mais preocupante.

Mais um mês, e mais uma subida no número de portugueses sem médico de família atribuído. Em abril, eram 1,3 milhões, o valor mais elevado desde que os governos de António Costa estão em funções e, inclusivamente, superior ao que se registava quando o primeiro governo do atual primeiro ministro tomou posse, ainda em 2015, adianta o jornal Público.

Segundo os últimos dados, referentes a abril, e agora publicados no “Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários”, há 1.299.376 utentes a descoberto, isto é, 12,3% do total de inscritos nos centros de saúde. Em dezembro de 2015, quando Cavaco Silva deu posso ao governo do PS, liderado por António Costa, eram pouco mais de um milhão. O número de utentes a descoberto tem vindo a aumentar paulatinamente desde o final de 2019 e situa-se no valor mais elevado dos últimos oito anos – é preciso recuar a 2014, último ano do resgate da troika, para encontrar um valor mais elevado, com 1,4 milhões de pessoas sem médico.

Promessa de longa data dos executivos do PS, o objetivo de atribuir médico de família a todos os portugueses nunca foi atingido e está cada vez mais distante. O máximo que o Ministério de Marta Temido conseguiu foi reduzir o número de população a descoberto a 641 mil em setembro de 2019. Em dois anos e meio, esse número quase duplicou.

É Lisboa e Vale do Tejo que concentra mais utentes sem médico, com assimetrias acentuadas entre regiões. Enquanto nesta zona do país, 24% dos inscritos (925 mil pessoas) não têm clínico assistente (um aumento de 35 mil pessoas em apenas um mês), na região Norte apenas 1,9% dos utentes estão a descoberto.

Em setembro, numa entrevista ao SaúdeOnline, o secretário de estado da Saúde Lacerda Sales garantia que o governo mantinha “a ambição” de cumprir o desígnio de atribuir médico de família a todos e justificava o deteriorar da situação com um aumento de inscrições no SNS e com “heterogeneidade do território”. Contudo, a contribuir significativamente para o aumento de portugueses sem médico assistente está a falta de clínicos. Por um lado, 2022 é apontado com o ano do pico das aposentações de médicos de família (que têm vindo a acelerar nos últimos dois anos). Por outro, os concursos para colocação de recém-especialistas não conseguem compensar as reformas, uma vez que há sempre uma parte muito significativa de lugares que ficam sem candidatos – por falta de capacidade do SNS para reter todos os médicos que acabam a especialidade.

SO

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