Urgência de Otorrinolaringologia do Santa Maria vai entrar em rotura, alerta sindicato

Sindicato dos Médicos da Zona Sul acusa o diretor de Serviço de Otorrino, Leonel Luís, de querer reduzir os médicos do serviço de urgência, com o objetivo de impedir o acesso dos doentes aos cuidados. Sindicato fala num clima de tensão entre Leonel Luís e os médicos.

                                                                    Leonel Luís (Foto: Global Images)

 

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) denunciou esta segunda-feira que o serviço de Urgência de Otorrinolaringologia (ORL) do Hospital de Santa Maria está a preparar-se para sofrer um novo corte no seu funcionamento, correndo o risco de entrar numa situação de rutura.

O Sindicato aponta o dedo ao Diretor do Serviço de Urgência de Otorrino do Santa Maria, que, garante, tem a intenção de cortar o “número de médicos nos turnos de Urgência e mesmo, pura e simplesmente, eliminar tempos de prestação de cuidados de saúde”, depois de ter “suspendido o programa de implantes cocleares” (um dispositivo eletrónico, implantado por cirurgia, que estimula o nervo auditivo, fornecendo assim uma sensação auditiva).

O SMZS acusa mesmo Leonel Luís, diretor do serviço, de tentar que o Conselho de Administração do CHLN aprove “um conjunto de restrições de acesso que têm por finalidade, na prática, impedir o acesso dos utentes a cuidados de saúde urgentes”. “A serem implementadas tais restrições, só um número muito pequeno de doentes que ocorrem ao Serviço de Urgência do maior hospital do País terão assistência imediata de ORL”, avisa o Sindicato.

Desta forma, diz o SMZS, “a responsabilidade de funcionamento de uma verdadeira Urgência Externa de ORL na área da Grande Lisboa para o Hospital de São José, já em saturação”, o que pode obrigar muitos utentes a recorrerem ao setor privado. “Se ocorrer uma emergência de ORL em todo o hospital no momento em que uma equipa de dois elementos (um médico Especialista e um médico Interno) estiver ocupada no Bloco operatório (e certas cirurgias podem durar horas), é humanamente impossível dar resposta”, adverte o sindicato.

O SMZS adianta que “os médicos especialistas, que são chefes de equipa, estão a entregar já cartas de não assumpção de responsabilidades para a sua atividade na Urgência tendo em conta as condições degradadas em que irão ser obrigados a trabalhar”.

A Ordem dos Médicos suspendeu, em março, a capacidade formativa do serviço de ORL do Hospital Santa Maria depois de ter avaliado as condições atuais de assistência aos doentes e a formação dos médicos internos. “Na base dessa decisão esteve o facto de ter sido provada, desde que o atual diretor foi nomeado, a existência de aspetos graves que põem em causa quer a qualidade assistencial aos doentes, quer a qualidade da formação dos Internos”, refere o Sindicato.

Para agravar a situação, o Sindicato garante que “cinco Especialistas abandonaram já o Hospital e cinco outros mantêm litígio judicial com o director [de serviço] nomeado, o que diz tudo sobre o ambiente tóxico que presentemente se vive no Serviço e que desconcentra os médicos que querem tratar os doentes”.

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