16 Mai, 2022

Três semanas depois do ataque, Garcia de Orta continua com sistema informático em baixo

Sem sistema informático, muitos atos são realizados manualmente. A situação "coloca em risco os cuidados de saúde aos utentes", alerta o Sindicato dos Médicos.

O Hospital Garcia de Orta foi alvo de ataque informático no dia 26 de abril. Três semanas depois, o dia a dia do hospital está longe do regresso à normalidade. Os médicos continuam sem acesso ao sistema informático, o que “coloca em risco os cuidados de saúde aos utentes e a segurança dos médicos”, alerta, em comunicado, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS).

Sem sistema informático, muitos atos são realizados manualmente. Todos os servidores do hospital foram afetados, tendo sido bloqueados “para evitar uma propagação dos danos”, indicou o hospital ao jornal Expresso. Desta forma, os profissionais viram-se obrigados a regressar ao papel, num retrocesso que dificulta o trabalho diário. Esta situação “potencia o erro médico e limita o acesso a informação imprescindível para o atendimento”, alerta o SMZS, que vai reunir com os médicos do hospital e exige uma resposta rápida e eficaz por parte do Conselho de Administração, dos SPMS e do Ministério da Saúde.

A impossibilidade de acesso à internet no Garcia de Orta impede a realização de diários clínicos, a parametrização de dados clínicos anteriores, da prescrição eletrónica de medicamentos, a obtenção de baixas médicas ou o pedido de exames de diagnóstico.

“Os médicos não conseguem aceder ao processo dos utentes. Além disso, a visualização de exames apenas é possível manualmente, sem acesso a uma adequada parametrização dos valores de referência e obrigando a deslocações dentro do hospital. Já houve situações em que a prescrição manual motivou erros”, sublinha o sindicato.

Simultaneamente, o registo de primeiras consultas é efetuado manualmente, “sem estar prevista ainda a passagem destes dados para o processo clínico digital dos utentes, e os relatórios são enviados através do telemóvel dos médicos, uma vez que nem todos os faxes se encontram operacionais”.

O SMZS garante que a situação, que se arrasta há 21 dias, “tem levado médicos, profissionais de saúde e utentes a um grande sentimento de preocupação, desalento e de insegurança, que se deve à falta de resposta do Conselho de Administração, que se escusa num plano de contingência que simplesmente não dá resposta”.

SO/COMUNICADO

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