
Fundador e Diretor do New Men Institute, Porto e Lisboa, Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, Professor Convidado da Universidade Lusófona Lisboa, Competência em Sexologia Clínica pela Ordem dos Médicos, Membro da EAU Section of Genitourinary Reconstructive Surgeons (ESGURS) e da European Society for Sexual Medicine ESSM
Tratamento com Plasma Rico em Plaquetas para a Doença de Peyronie e Disfunção Eréctil – Are we ready?
A utilização de plasma rico em plaquetas (PRP) na abordagem da disfunção erétil e da doença de Peyronie constitui uma área emergente da medicina regenerativa. Apesar da plausibilidade biológica destas intervenções, a sua aplicabilidade clínica permanece condicionada pela heterogeneidade dos protocolos terapêuticos e pela qualidade metodológica da evidência disponível.
Na disfunção erétil, alguns ensaios clínicos randomizados e controlados com placebo demonstraram melhorias nos parâmetros de função erétil após administração intracavernosa de PRP. Contudo, a variabilidade na composição celular, na concentração plaquetária, nos métodos de ativação e nos esquemas de administração limita a comparação entre estudos e a robustez dos resultados. As orientações da European Association of Urology (EAU) reconhecem um potencial benefício clínico, mantendo a utilização circunscrita ao contexto de ensaios clínicos.
Na doença de Peyronie, em estudos de coorte prospectivos verificam-se melhorias na curvatura peniana, na sintomatologia dolorosa e nos resultados reportados pelos doentes, sendo essa também a minha experiência clínica, e que será neste simpósio apresentada. Todavia, a ausência de grupos de controlo adequados e a utilização concomitante de outras intervenções terapêuticas dificultam a inferência causal relativamente ao efeito específico do PRP. Quanto ao uso de ácido hialurónico intralesional, as orientações da EAU de 2026 admitem a sua utilização na fase aguda da doença, para redução da dor e/ou da curvatura, atribuindo-lhe, contudo, uma recomendação de baixo grau. A sua utilização em associação com PRP parece ter potenciais vantagens adicionais, que serão em breve clinicamente investigadas.
A investigação futura deverá privilegiar ensaios clínicos multicêntricos, com grupo controlo e metodologicamente robustos, com caracterização rigorosa dos produtos biológicos, protocolos terapêuticos padronizados, critérios de inclusão homogéneos e avaliação de outcome clinicamente relevantes. O seguimento longitudinal será igualmente determinante para estabelecer a durabilidade dos efeitos e o perfil de segurança.
De facto, a evidência disponível ao momento sugere um potencial terapêutico, mas permanece insuficiente para sustentar a generalização destas intervenções à prática clínica de rotina. A sua validação exige reprodutibilidade, demonstração de eficácia clínica e uma relação risco-benefício favorável.
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