19 Dez, 2018

Sem vergonha de pedir desculpa, ministra espera “pontes” com sindicatos dos enfermeiros

A ministra da Saúde assume não ter vergonha de pedir desculpa aos enfermeiros por uma declaração em que usou o termo “criminoso” e está convicta de que será possível “encontrar pontes” de entendimento com os profissionais em greve.

Em declarações aos jornalistas, Marta Temido assumiu que usou uma “expressão menos feliz” ao fazer uma “caracterização genérica sobre as posições em situações de diálogo ou não diálogo”, mas garante que não teve intenção de “pôr em causa nenhuma profissão”, “muito menos os profissionais de enfermagem”.

Na entrevista concedida ao Diário de Notícias e à TSF, ao ser questionada sobre negociações com os sindicatos dos enfermeiros em greve, Marta Temido afirmou que entrar nesse diálogo não seria correto para com os outros sindicatos: “Isso estaria a privilegiar, digo eu, o criminoso, o infrator”.

O pedido de desculpas aos enfermeiros por parte da ministra já tinha sido veiculado pela bastonária da Ordem destes profissionais, Ana Rita Cavaco, num comunicado divulgado na segunda-feira.

Agora, esta terça-feira, a ministra foi confrontada pelos jornalistas com este pedido de desculpa e admitiu que seja uma “nova forma de fazer política”.

“Usei uma expressão menos feliz, por isso fiz o pedido de desculpa. Não temos de ter vergonha de pedir desculpa quando, ainda que inadvertidamente, causamos aos outros uma sensação de lesão”, afirmou no final de um debate promovido na sede do PS em Lisboa sobre a nova Lei de Bases da Saúde.

Sobre uma aproximação às estruturas sindicais em greve, Marta Temido disse que convidou todos os sindicatos para uma reunião na sexta-feira, indicando que espera uma aproximação.

“Espero que possamos conversar sobre o que preocupa os portugueses. Uma circunstância de greve no SNS que está a por em causa o normal funcionamento dos serviços e portanto é essa a minha expectativa, que possamos fazer pontes, entendermo-nos e repor a normalidade de funcionamento do SNS”, indicou.

A greve dos enfermeiros em blocos operatórios de cinco hospitais públicos decorre desde o dia 22 de novembro e prolonga-se até final deste mês, estando a levar ao adiamento de cerca de 500 cirurgias por dia.

LUSA

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