Reflexão em torno do conceito de educação…uma perspetiva!
Enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação

Reflexão em torno do conceito de educação…uma perspetiva!

Este meu artigo de opinião pretende partilhar com o leitor uma perspetiva individual, relativamente ao conceito de educação, definido e analisado ao longo de décadas por diversos autores, e que foi sendo descrito na literatura. Propõe-se, assim, um percurso evolutivo, embora de forma sumária, sobre os diferentes entendimentos assumidos ao longo da história recente.

A educação assume-se como condição singular para incorporar o pensamento teórico e a atividade reflexiva da governação social, sendo assumido atualmente que é geradora e/ou potenciadora de uma transformação, quer individual, quer comunitária.

A literatura salienta o entendimento conceptual em torno da moralidade humana, mas também amplificando a própria caracterização da educação, ao ser sugerido que o propósito da experiência educativa é verdadeiramente induzir melhoria social dos indivíduos, na sua vivência em comunidade (Brezinka, 2007; Simões, 2007). De uma forma mais particular, concretiza-se esta ideia, preconizando-se que os fenómenos educativos, ao intervirem junto da sociedade e da cultura, promovem um desenvolvimento da personalidade e da capacidade de socialização de cada indivíduo, acrescentando-se assim a sua índole de humanização.

Mais recentemente, é considerado que a educação pode ser caracterizada como um caminho de aperfeiçoamento, que os membros de uma determinada comunidade desenvolvem, com interação entre si, contribuindo desse modo, e em última instância, para o desenvolvimento individual, social e cultural. Neste âmbito, a educação atua como um elemento que potencializa cada indivíduo, para adquirir um património espiritual, material e de competências várias, que resulta numa atividade dinâmica, promovendo-se assim a socialização. E esta socialização, em si mesma, torna-se efetivamente fundamental no relacionamento e desenvolvimento humanos, sendo essencial na promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos indivíduos (Amado, 2017).

Termino este percurso reflexivo, direcionando-me ao Manual para a Medição da Equidade na Educação, apresentado pela UNESCO em 2019, onde é afirmado que o processo educativo é um direito humano fundamental, implicando assim que seja participativo e equitativo, com o propósito de se promoverem cada vez mais sociedades inclusivas.

Referências bibliográficas:
Alcoforado, L. (2014). Uma Educação para Todos, ao Longo e em todos os Espaços da Vida: desafios para a construção de políticas públicas promotoras de uma cidadania planetária crítica e ativa. In M. F. da Silva, Mundos Distantes, Diálogos Possíveis: a vida em Mosaico (pp. 14 – 34). João Pessoa: Ideia.
Amado. J. (2017). Manual de investigação qualitativa em educação (3rd ed.). Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.14195/978-989-26-0879-2.
Barbosa, W. R. (2016). Tempo de Escola ou Tempo de Aprender? lições de José Luiz. Educação & Realidade, 41(4). https://doi.org/10.1590/2175-623660423
Biesta, G. (2015). What is Education For? On good education, teacher judgement, and educational professionalism. European Journal of Education, 50(1), 75-87. http://dx.doi.org/10.1111/ejed.12109
Brezinka, W. (2007). Educación y pedagogia en el cambio cultural. Barcelona: PPU, SA.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (2019). Manual para a Medição da Equidade na Educação. França. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000368710
Simões, A. (2007). O que é a Educação? In A. C. Fonseca, M. J. Seabra-Santos & M. F. Gaspar (Eds.), Psicologia e Educação: Novos e velhos temas (pp. 31-52). Coimbra: Edições Almedina.

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