22 Abr, 2026

Quase 330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca entre 2021 e 2025

Diretores de serviços de Cardiologia de vários hospitais do Norte denunciaram dificuldades no acesso a cirurgia cardíaca e a procedimentos como a implantação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI), apontando atrasos significativos.

Quase 330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca entre 2021 e 2025

Quase 330 doentes morreram, entre 2021 e 2025, enquanto aguardavam por cirurgia cardíaca em Portugal. Os dados foram hoje avançados pela secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, durante uma audição na Assembleia da República. Segundo a governante, registaram-se 65 mortes em 2021, outras 65 em 2022, 62 em 2023, 71 em 2024 e novamente 65 em 2025. “Este Governo não vive descansado com isto a acontecer. Nós estamos aqui para salvar vidas”, afirmou.

A audição foi solicitada pelo partido Chega e centrou-se na possibilidade de criação de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte — um tema que tem gerado polémica desde fevereiro, após alertas de especialistas sobre o aumento das listas de espera.

Diretores de serviços de Cardiologia de vários hospitais do Norte denunciaram dificuldades no acesso a cirurgias e a procedimentos como a implantação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI), apontando atrasos significativos. Seguiram-se posições públicas de especialistas, que confirmaram os constrangimentos, mas também alertaram para o risco de falta de recursos humanos nos centros já existentes caso sejam criadas novas unidades.

Entretanto, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já tinha admitido, a 30 de março, a necessidade de rever a legislação e criar medidas excecionais para reduzir os tempos de espera. A governante reconheceu que “há áreas de especialidade em que os tempos vão para além do recomendado” e defendeu incentivos para acelerar a resposta, sem comprometer a segurança dos doentes ou das equipas médicas.

Hoje, Ana Povo afirmou que, no imediato, o problema será enfrentado através do reforço do SIGIC, considerando ainda que a atual rede está “desajustada”. De acordo com a secretária de Estado, existem atualmente seis centros públicos de cirurgia cardíaca em Portugal, a par de 11 unidades privadas. Nesse sentido, o Governo pretende avançar com um despacho para rever a rede de referenciação nas áreas da cirurgia torácica, cirurgia cardíaca e cardiologia, incluindo a criação de centros afiliados aos centros de referência. “É preciso olhar novamente para as redes, tendo em conta toda a capacidade instalada”, sublinhou.

SO/LUSA

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