16 Abr, 2026

Portugal abaixo da média da OCDE em saúde e com falhas na coordenação de cuidados

Portugal apresenta resultados inferiores à média da OCDE em quase todos os indicadores de saúde, segundo o estudo internacional PaRIS. As maiores fragilidades surgem nos grupos mais vulneráveis e na coordenação dos cuidados, com impacto na qualidade e continuidade da assistência.

Portugal abaixo da média da OCDE em saúde e com falhas na coordenação de cuidados

Portugal tem desempenhos abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em praticamente todos os indicadores de resultados em saúde, com diferenças mais marcadas entre os grupos populacionais mais vulneráveis, conclui um estudo hoje divulgado.

O relatório Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), o maior inquérito internacional dirigido a utilizadores dos serviços de saúde, identifica como principais fragilidades nacionais a perceção de saúde da população e a coordenação dos cuidados.

De acordo com os dados, Portugal apresenta resultados inferiores à média da OCDE em vários domínios avaliados, incluindo saúde física, saúde mental, funcionamento social, bem-estar e saúde geral, situando-se nos níveis mais baixos ou próximos dos mais baixos entre os países participantes.

As desigualdades são mais evidentes entre mulheres, pessoas com 75 ou mais anos, indivíduos com menor escolaridade e aqueles em situação de privação económica.

Nestes grupos, os resultados em saúde e a experiência com os cuidados são significativamente piores do que a média internacional, evidenciando “disparidades importantes”, segundo os autores do estudo.

Mais de metade dos inquiridos em situação de doença crónica em Portugal refere não ter uma boa saúde geral, e cerca de quatro em cada dez apresentam risco de depressão clínica.

Na experiência com os serviços de saúde, os resultados aproximam-se da média da OCDE, mas persistem fragilidades relevantes na coordenação de cuidados, com cerca de metade dos utentes a reportar insatisfação nesta dimensão.

O estudo indica ainda que uma proporção semelhante de profissionais reconhece não estar devidamente preparada para articular cuidados com outros prestadores de saúde.

São também identificadas lacunas estruturais nos cuidados de saúde primários, nomeadamente na coordenação entre níveis de cuidados, na cobertura de planos individuais, no apoio à autogestão da doença e nos canais de comunicação utilizados.

Apesar da generalização do registo eletrónico, o relatório destaca dificuldades de interoperabilidade, limitações no acesso remoto e fraca integração entre prestadores, bem como uma oferta reduzida de videoconsultas.

Segundo o PaRIS, continuam a existir desafios estruturais que condicionam a coordenação dos cuidados, incluindo a ausência de um profissional responsável pela articulação do percurso do doente e a partilha limitada de dados clínicos.

A articulação entre cuidados primários, hospitalares, continuados, paliativos e de saúde mental é descrita como frágil e incompleta, podendo comprometer a continuidade assistencial.

Perante este cenário, os especialistas alertam para o aumento contínuo de pessoas com doenças crónicas e defendem a necessidade de adaptação dos sistemas de saúde a estas realidades.

O estudo identifica três grandes eixos de intervenção: transformação digital, com modernização dos canais de comunicação; personalização dos cuidados, incluindo a atribuição de gestores de caso e reforço da autogestão; e reforço da confiança no sistema, através da monitorização da experiência dos utentes e do investimento em prevenção e literacia em saúde.

O PaRIS envolveu 19 países e, em Portugal, contou com a participação de 11.744 utentes com 45 ou mais anos e 80 unidades de cuidados de saúde primários. Foram analisados 10 indicadores-chave, cinco relativos a resultados em saúde e cinco relacionados com a experiência dos utentes no sistema de saúde.

LUSA/SO

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