Pizarro garante que impacto da greve do INEM teria sido evitado sob a sua Tutela
Manuel Pizarro afirmou na comissão de inquérito ao INEM que as consequências da greve de 2024 não teriam ocorrido se ainda fosse ministro da Saúde. O ex-governante defendeu que o acompanhamento permanente dos sindicatos e a mediação política poderiam ter evitado o impacto registado.

O antigo ministro da Saúde Manuel Pizarro afirmou que, se estivesse em funções durante a greve do INEM no final de 2024, as consequências da paralisação não teriam ocorrido, apontando o acompanhamento direto dos sindicatos como fator decisivo.
A declaração foi feita na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica, onde o ex-governante socialista disse ter a “profunda convicção” de que o desfecho da greve de outubro e novembro de 2024 teria sido diferente sob a sua tutela.
Manuel Pizarro recordou que, entre setembro de 2022 e março de 2024, enquanto liderou a pasta da Saúde, manteve contacto direto e permanente com os dirigentes sindicais, o que, na sua perspetiva, permitiu prevenir situações semelhantes.
“Enquanto fui ministro fiz tudo o que estava ao meu alcance para limitar a existência e o impacto das greves do INEM”, afirmou.
O ex-ministro sublinhou que, durante todo o seu mandato, nunca ocorreu nada comparável ao sucedido no final de 2024, frisando que acompanhava em tempo real qualquer paralisação no instituto.
Segundo explicou aos deputados, tinha o contacto dos dirigentes sindicais no telemóvel e recorria a esse canal sempre que necessário, independentemente da hora, para tentar resolver problemas e reduzir o impacto no serviço.
Para Manuel Pizarro, é “impensável” que um membro do Governo não acompanhe de forma permanente uma greve no INEM, dada a sensibilidade do sistema de emergência médica pré-hospitalar.
“Eu sabia tudo o que se passava numa greve do INEM em tempo real”, afirmou, defendendo que a intervenção política imediata é essencial para proteger a resposta assistencial.
O antigo governante lembrou ainda que a rápida resolução da paralisação, logo que o sindicato foi chamado ao Ministério da Saúde, demonstrou a importância da mediação política num processo desta natureza.
Durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, foram registadas 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, de acordo com a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.
Manuel Pizarro aproveitou também para defender o papel do INEM, considerando tratar-se de uma instituição de referência internacional, com profissionais altamente qualificados e uma resposta habitualmente rápida e diferenciada.
“O INEM honra Portugal e honra os portugueses”, afirmou, elogiando a preparação técnica e a dedicação dos profissionais.
Embora reconheça a existência de falhas e margem para melhoria, o ex-ministro insistiu que essas limitações nunca tinham comprometido o funcionamento global do sistema até aos “dias fatídicos” do final de 2024.
Na audição, sustentou ainda que o Governo “devia, pelo menos, ter tentado” decretar serviços mínimos, defendendo que deveria ter existido uma negociação formal com o sindicato para garantir uma resposta mínima.
A comissão parlamentar de inquérito, composta por 24 deputados, foi aprovada em julho do ano passado por proposta da Iniciativa Liberal e pretende apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relacionadas com a atual situação do INEM.
Entre os principais focos estão a atuação do instituto durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024, bem como a relação das tutelas políticas com o INEM desde 2019.
LUSA/SO
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