Ordem dos Médicos e sindicatos juntam-se para apelar à adesão à greve da próxima semana

Greve arranca a 8 de maio com uma concentração em frente ao Ministério da Saúde. Ordem dos médicos junta-se aos sindicatos no apelo à greve.

A primeira reunião decorreu ontem à noite na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, com a presença do bastonário, Miguel Guimarães, do secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha e do presidente da Federação Nacional de Médicos (FNAM), João Proença, entre outros responsáveis. Na “ementa” do encontro, que decorreu na sede da Ordem em Lisboa, estava o estado da saúde em Portugal e, em particular, as reivindicações dos médicos – que, ao não terem sido satisfeitas, levaram a classe a convocar uma greve para os dias 8, 9 e 10 de maio.

A Ordem dos Médicos considera que existem “razões objetivas” para a greve nacional de três dias convocada para a próxima semana e entende que participar na paralisação é “defender a qualidade dos cuidados de saúde e os doentes”. Num documento assinado pelo bastonário dos Médicos, e divulgado pelo SIM, a Ordem entende que os profissionais não podem “continuar a aceitar a violação permanente da dignidade dos médicos, dos doentes e do próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Participar na greve nacional dos médicos decretada pelos sindicatos é, antes de tudo, defender a qualidade dos cuidados de saúde e os doentes”, refere o bastonário Miguel Guimarães. Esta quinta-feira estão marcadas para o Porto e Coimbra mais duas reuniões nas secções regionais da Ordem de modo a ouvir os médicos.

Miguel Guimarães afirmou ainda que não acredita que a greve possa vir a ser desconvocada. “Eu não acredito que o ministro vá dar alguma coisa, já disse muitas vezes que se ia fazer isto e aquilo e na prática nunca fez. Existe um empurrar de responsabilidades para outro governo e para o ministro das Finanças, que eu não aceito. O ministro da Saúde tem de bater o pé a sério, senão vai embora”, defendeu. “Ninguém é obrigado a estar num lugar importante se não tiver condições. Não acredito que o ministro vá conseguir impedir a greve”, acrescentou. “Eu não me lembro, na nossa democracia, de os profissionais de saúde, de uma forma geral, estarem tão descontentes com o que está a acontecer na saúde. Não me lembro de nenhum ministro passar por três greves dos médicos”, concluiu.

À saída da reunião desta quarta-feira, o presidente da FNAM lembrou que está marcada para o dia 8 uma concentração em frente ao Ministério da Saúde e apelou à participação dos médicos. “Só nas maternidades faltam imensos médicos qualificados de ginecologia e anestesia, o que traz grandes problemas”, lembrou João Proença, em declarações ao Público. Este responsável sindical admitiu mesmo que os médicos possam deixar de passar receitas no futuro, se as negociações com o governo continuarem a não surtir efeito.

O SIM também coloca o foco na falta de médicos e critica o recurso a empresas de trabalho temporário. “Um dos argumentos do Ministério da Saúde é que não há dinheiro para implementar as medidas propostas pelos sindicatos. No entanto, o Ministério gasta 120 milhões de euros com serviços de empresas de trabalho médico temporário, em vez de abrir concursos atempados para a contratação dos  médicos especialistas necessários para o SNS. Temos agora 500 médicos da área hospitalar e 300 médicos de família que se o Ministério da Saúde nada fizer, vai acontecer o mesmo que este ano: vão para o estrangeiro e para os privados”, disse o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

Em termos mais concretos, os sindicatos querem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais, uma redução progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência e uma diminuição gradual das listas de utentes dos médicos de família até 1.500 utentes, quando atualmente são de cerca de 1.900 doentes.

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