Instituto de Educação

Opiniões sobre a proibição de fumar em casa, no carro e em espaços exteriores

Universidade do Minho

José Precioso1, Isabel Sousa1, José Machado1; Cláudia Correia1, Catarina Samorinha2, Henedina Antunes3

1.Instituto de Educação. Universidade do Minho; 2. Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto; 3. Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde; Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho; Unidade de Pediatria, Hospital de Braga. 

A Organização Mundial de Saúde continua a considerar o consumo de tabaco a principal causa evitável de doença e morte prematura nos países desenvolvidos. Em Portugal, o tabaco terá sido responsável, em 1995, pela morte de cerca de 8300 fumadores.

Resultados de vários estudos parecem apoiar a tese de que as crianças que crescem num ambiente microssocial (família, grupo de amigos) onde se consome tabaco e/ou em que este não é desaprovado estão em maior risco de vir a ser consumidores do que aqueles que crescem num ambiente onde há menor consumo. O efeito de modelagem, a atitude positiva ou indiferente em relação ao consumo por parte dos conviventes pode predispor ou levar aos primeiros consumos e, mais tarde, à continuação devido ao reforço pelo grupo de pares.

A elevada prevalência de consumo de tabaco pelos jovens revela que a prevenção ainda não está a dar os resultados preventivos esperados e necessários e, por isso, urge desenvolver e aplicar medidas e programas preventivos eficazes. Uma das vias adotadas na prevenção do consumo de tabaco e na proteção dos não fumadores à exposição ao fumo ambiental do tabaco, em Portugal, consistiu na proibição do consumo de tabaco em espaços interiores, que foi, no geral, bem aceite e implementada.

A compreensão da forma como os indivíduos percecionam a possível implementação de uma nova medida legislativa é uma informação importante e orientadora para os decisores em saúde pública. Por esse motivo realizou-se um estudo com o objetivo de estimar o grau de concordância com a proibição do consumo de tabaco em espaços exteriores e no interior do carro, no concelho de Braga. Entrevistou-se, por telefone, uma amostra representativa da população residente no concelho de Braga, com idades compreendidas entre os 15 e os 74 anos. Entrevistaram-se 129 indivíduos (63 homens e 66 mulheres), aos quais se perguntou o grau de concordância com a proibição de fumar em espaços exteriores (esplanadas de bares e restaurantes, escolas do 1º, 2º, 3º ciclo e secundárias, universidades, hospitais, centros de saúde, zonas de paragem de transportes públicos, parques infantis, centros comerciais, recintos desportivos ao ar livre, praias e piscinas ao ar livre) e no interior do carro.

A grande maioria dos inquiridos (73.6%) concorda que devia ser proibido fumar: em todos os espaços públicos, incluindo esplanadas de bares e restaurantes; nas zonas exteriores das escolas primárias (96.9%); nas zonas exteriores das escolas de 2º e 3º ciclo e secundárias (96.9%), nas zonas exteriores das universidades (71.3%); nas zonas exteriores dos hospitais (72.9%); nas zonas exteriores dos centros de saúde; (73.6%); nas zonas ao ar livre dos transportes públicos (paragens) (64.3%), no interior dos carros na presença de menores/crianças (93.0%), no interior dos carros, sem exceções (72.9%), nos parques infantis (66.7%), nas zonas exteriores dos centros comerciais (49.6%). Uma reduzida percentagem de inquiridos concorda com a proibição de fumar nos recintos desportivos ao ar livre (22.5% do total; 5.3% fumadores vs. 33.3% não fumadores); nas praias (19.4%), e nas piscinas ao ar livre (22.5%). Constata-se que o apoio à proibição de fumar, em todos os locais em estudo, é maior nos não fumadores do que nos fumadores.

Em resumo, constatou-se um elevado apoio à proibição de fumar em quase todos os espaços públicos, com uma elevada concordância no que diz respeito à restauração. Em praias e piscinas descobertas, o apoio à proibição é minoritário, embora exista uma grande diferença entre fumadores (menor apoio) e não fumadores. Verifica-se que a maioria dos entrevistados concorda com a proibição de fumar no carro na presença de crianças, tendo-se verificado um decréscimo no que diz respeito à proibição de fumar no carro sem exceções.

Assim, parece haver, em Braga, um apoio à alteração à lei no que respeita à proibição de fumar em todo o setor da restauração sem exceções, incluindo as esplanadas. É fundamental que os governantes e deputado tenham consciência de que fumar à porta das escolas e hospitais, é uma forma de induzir o consumo de tabaco pelos mais novos. No fundo, é permitir o contágio deste comportamento cada vez mais, socialmente inaceitável.

Este estudo foi realizado no âmbito do Projeto “Prevenção do Tabagismo em Crianças e Adolescentes em Idade Escolar: construção e avaliação longitudinal de um programa de prevenção baseado nas diferenças de género” (Ref.: PTDC/IVC-PEC/5133/2012), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e cofinanciado pelo programa COMPETE.

 

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