10 Set, 2020

Oftalmologia: programas de gestão de listas de espera foram um fracasso

Espera por primeira consulta hospitalar chega a rondar os três anos. Solução poderia passar por implementar consultas de optometria nos centros de saúde.

Os programas de gestão de listas de espera na área da saúde da visão fracassaram em toda a linha. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, a lista de espera para primeira consulta hospitalar de especialidade de oftalmologia era superior a 233 mil pessoas com tempos de espera superiores a mil dias.

“Este cenário resulta da falta de integração dos cuidados para a saúde da visão e do incorreto planeamento da força de trabalho, e quem o diz é a própria Organização Mundial de Saúde. Não adianta atirar dinheiro para algo que está fundamentalmente errado” diz Raúl de Sousa, Presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO).

 

Metade dos problemas poderiam ser tratados nos Centros de Saúde

 

Cinquenta por cento das causas de problemas visuais em Portugal são erros refrativos que podem e devem ser atendidos, diagnosticados, prescritos e tratados nos cuidados de saúde primários.

Para Raúl de Sousa “a solução técnica e científica para assegurar acesso universal aos cuidados para a saúde da visão, é garantir cuidados de proximidade e na comunidade, através de força de trabalho bem planeada e organizada com oftalmologistas, optometristas e ortoptistas em trabalho de equipa multidisciplinar e distribuídos pelos vários níveis de cuidados do SNS”.

Recentemente um inquérito realizado, a 217 médicos de família em 58 centros de saúde da comunidade autónoma de Navarra, em Espanha, sobre a implementação da consulta de optometria nos centros de saúde, revela que 86% dos médicos de família encaminhavam os seus doentes para esta consulta quando detetavam perda de acuidade visual à distância ou presbiopia.

Após dez anos da implementação da consulta de optometria nos centros de saúde, Navarra tinha apenas 3.683 pacientes a aguardar uma primeira consulta no serviço de oftalmologia, sendo a quarta comunidade autónoma, em 2016, com a menor taxa na lista de espera no SNS.

O mundo caminha alinhado com o Programa de Visão da OMS que visa facilitar a integração dos cuidados da saúde da visão na cobertura universal de saúde.

Portugal além de não seguir esta tendência, continua inerte em políticas obsoletas que não asseguram o direito a uma prestação de cuidados de saúde primários da visão eficiente e atempada. É absolutamente crítico refletir sobre a realidade atual e futura dos cuidados para a saúde da visão no nosso país.

COMUNICADO

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