24 Fev, 2022

Agora o boom? Nascimentos sobem 13% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2021

Subida é expressiva. O Diretor do Serviço de Obstetrícia do Santa Maria admite que pode ser o início de um boom de nascimentos pós-pandemia, mas alerta que é prematuro tirar conclusões.

Em janeiro foram feitos 6.482 testes do pezinho, mais 836 comparativamente com igual período do ano passado, de acordo com dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce. Assim, a natalidade registou, em Portugal, uma subida a rondar os 13%.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através da sua Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, o maior número de bebés rastreados nasceram nos distritos de Lisboa e do Porto com 1.857 e 1.247 testes efetuados, respetivamente, seguidos de Setúbal, com 525, e Braga, com 457.

Por outro lado, Portalegre (40), Guarda (45), Bragança (46) e Castelo Branco (74) foram os distritos com menos recém-nascidos estudados.

Esta tendência de aumento dos nascimentos vem contrariar a descida registada nos últimos dois anos. 2021 foi mesmo o ano com menos nascimentos de sempre em Portugal – menos de 80 mil.

Embora o número de nascimentos registados em janeiro de 2022 se mantenha aquém dos valores de anos anteriores, notam-se, nas maternidades, sinais de uma primeira recuperação da natalidade, segundo o diretor do Serviço de Obstetrícia do Hospital de Santa Maria Diogo Ayres de Campos, em declarações ao jornal Inevitável.

Sabemos historicamente que depois de um período bélico e de uma situação de pandemia há um boom de nascimentos. Se este janeiro pode ser reflexo disso ou coincidência ou não sabemos”, afirma, ainda com cautela, o presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, alertando que é cedo para tirar conclusões mas notando que os partos de janeiro “dizem respeito a bebés de nove meses anteriores, finais de março e abril, quando tinha passado a fase mais difícil da pandemia”.

O Programa Nacional de Rastreio Neonatal, mais conhecido como o “teste do pezinho”, arrancou em 1979 com “o objetivo de diagnosticar crianças que sofrem de doenças genéticas que podem beneficiar de tratamento precoce, evitando a ocorrência de atraso mental, doença grave irreversível e até mesmo a morte”.

Segundo o INSA, o programa abrange atualmente 26 doenças, 25 das quais de origem genética.

O “teste do pezinho” deve ser realizado entre o terceiro e o sexto dia do bebé e consiste na recolha de gotículas de sangue através de uma picada no pé do bebé.

O Programa Nacional de Rastreio Neonatal, apesar de não ser obrigatório, tem atualmente uma taxa de cobertura de 99,5%, sendo o tempo médio de início do tratamento de 9,9 dias.

SO/LUSA

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