2 Nov, 2026

Movimento +Fertilidade quer consulta entre os 20 e 35 anos nos centros de saúde

Estas medidas do Movimento + Fertilidade fazem parte de um conjunto de 15 recomendações organizadas em três eixos – Literacia, Trabalho e Acesso –, que procuram soluções urgentes para melhorar a informação, a conciliação laboral e o acesso a cuidados de fertilidade.

Movimento +Fertilidade quer consulta entre os 20 e 35 anos nos centros de saúde

O Movimento +Fertilidade quer que o Governo crie uma consulta de aconselhamento nos centros de saúde, entre os 20 e 35 anos, e tempos máximos de resposta na Procriação Medicamente Assistida em função da idade. Estas medidas fazem parte de um conjunto de 15 recomendações organizadas em três eixos – Literacia, Trabalho e Acesso –, que procuram soluções urgentes para melhorar a informação, a conciliação laboral e o acesso a cuidados de fertilidade.

Divulgadas no arranque da Semana da Fertilidade, que começa na segunda-feira, as recomendações resultam de uma análise comparativa das políticas de vários países europeus e surgem no mesmo dia em que é divulgado um estudo que mostra que quase sete em cada dez jovens entre os 18 e 34 anos mudariam os planos de ter filhos se, no futuro, tivessem de cuidar de um familiar.

Para responder ao desafio demográfico português e ajudar a que os jovens possam ter filhos a tempo, o Movimento +Fertilidade, que envolve a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, a Associação Portuguesa de Fertilidade e a subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos, avança com 15 recomendações estratégicas, incluindo o alargamento do acesso à preservação da fertilidade por razões não médicas.

As medidas, que serão acompanhadas de um pedido de reunião para discutir com o Governo a melhor forma de as concretizar, preveem a revisão curricular obrigatória do ensino básico à universidade, integrando módulos de saúde e planeamento que abordem temas como a janela biológica, a fertilidade masculina e o impacto do estilo de vida.

O movimento aponta ainda a necessidade de mais campanhas digitais com validação médica, com presença institucional permanente nas redes sociais, para desmistificar as tecnologias de reprodução assistida em faixas etárias mais avançadas. Quanto ao acesso, sugere o reembolso total de três a seis ciclos de tratamento, a comparticipação pública garantida para o segundo filho e a comparticipação a 100% das dádivas de gâmetas. Para eliminar o impacto das listas de espera no período da janela biológica para ter filhos, propõe ainda um sistema de voucher, permitindo a escolha entre o setor público e o privado.

Outra das recomendações prende-se com o alargamento da preservação, financiando-a em condições não oncológicas (endometriose e risco de menopausa precoce, por exemplo) assim como a reforma das “leis restritivas” sobre embriões e dádiva.

O Movimento +Fertilidade propõe igualmente a criação de incentivos às empresas que apoiem a parentalidade e o cuidado de familiares e defende a substituição dos apoios financeiros únicos no nascimento por deduções fiscais “diretas e duradouras” especificamente para o segundo filho. Pede igualmente um “investimento crítico” em creches, com acesso a instituições públicas de qualidade desde o primeiro ano de vida e limite máximo de custos, à semelhança do modelo sueco, assim como flexibilidade na lei que garante a qualquer progenitor o direito de reduzir o horário em até 20%, sem possibilidade de recusa pelo empregador.

As 15 recomendações são conhecidas no dia em que é divulgado o barómetro FutURe 2026, segundo o qual quase sete em cada dez jovens admitem mudar os planos de ter filhos se, no futuro, tiverem de cuidar de um familiar. Destes, 30% diz que adiaria a decisão. A perspetiva de conciliar estas responsabilidades surge num contexto em que 1,2% já cuida de um familiar, 43,3% considera provável que isso venha a acontecer e 30,3% muito provável, sobretudo para cuidar dos pais.

Mais de oito em cada dez (80,7%) dizem que preferem garantir a estabilidade financeira primeiro e só depois ter filhos, num contexto em que mais de metade dos que responderam dizem que a instabilidade financeira é, de facto, o principal motivo para adiar a parentalidade.

Os dados mostram ainda que, para estes jovens, o acesso à habitação (35,9%) é o principal desafio que Portugal enfrenta nos próximos 20 anos, seguido do envelhecimento da população (26%), da saúde mental (8,3%) e da baixa natalidade (8,2%). O inquérito, promovido pela Merk ouviu, em Portugal, 1.200 pessoas entre os 18 e os 34 anos e é divulgado na véspera da Semana Europeia da Fertilidade, que se assinala de 02 a 08 de novembro.

SO/LUSA

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