30 Out, 2026

Urologia. “É preciso adequar a tecnologia ao doente em concreto”

Na sessão de abertura do XIX Simpósio APU, Pedro Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Urologia, realçou a importância de se centrar os cuidados no doente, sobretudo numa altura em que a tecnologia avançou bastante, em particular na área urológica. O momento contou ainda com a presença de urologistas das sociedades brasileira e espanhola.

Urologia. “É preciso adequar a tecnologia ao doente em concreto”

“Vivemos num tempo extraordinário de inteligência artificial (IA), sistemas robóticos, novos laser e técnicas de biópsia, novos MCDT, terapêuticas sistémicas cada vez mais eficazes e serviços bem equipados. Mas é preciso pensar no que fazemos, daí a importância do pensamento crítico, de saber adequar a tecnologia ao doente concreto que temos à nossa frente e de saber avaliar de forma crítica e consensual.”

As palavras são de Pedro Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU), na sessão de abertura do XIX Simpósio da APU, que decorreu hoje, de manhã. Sob o tema “Urologia centrada no doente”, o evento conta com mais de 100 palestrantes, o que é um marco para a sociedade, segundo o presidente.

Na sua intervenção, lembrou a importância da saúde dos próprios profissionais de saúde, quando se vive diariamente com uma sobrecarga de trabalho. Destacou, ainda, a proximidade da APU às associações de doentes e à população.

Numa mensagem em vídeo, Carlos Cortes falou da importância da relação médico-doente, sobretudo numa era de novas tecnologias e de evolução na medicina, em particular na Urologia. O responsável lembrou a necessidade de escutar, dando espaço para perguntas quando o doente se confronta com patologias que costumam ter forte impacto na sua vida. “É nossa responsabilidade clínica, ética e médica”, salienta. Continuando, Carlos Cortes frisou que é preciso incluir os doentes nas decisões clínicas.

Todavia, mencionou, tal premissa implica que haja condições e organização nos serviços para se poder escutar os doentes, prestar cuidados de continuidade, tomar decisões ponderadas e dar acesso atempado ao diagnóstico. Tal exige qualidade na formação contínua e no internato médico, assim como o reconhecimento do trabalho e da carreira médica.

Ainda na sessão, interveio Ana Raquel Santos, presidente da ULS do Baixo Mondego, que também centrou a sua intervenção na temática geral do simpósio. Na sua opinião, ter o doente no centro implica organização e interface entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares. “A pressão assistencial é cada vez maior e temos de pensar no percurso assistencial do doente, sendo absolutamente necessária a articulação entre cuidados.”

Presentes na abertura do simpósio estiveram ainda Olga Brás, vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Roni Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Hamilton Zampolli, secretário-geral da Conferência Americana de Urologia, Coral Manso Aparicio, membro da Direção da Sociedade Espanhola de Urologia e José Gonçalves, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Doentes da Próstata.

 

Maria João Garcia

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