Ministra quer esclarecer atraso de sete anos na publicação dos registos oncológicos
A ministra da Saúde mostrou-se perplexa com os atrasos na divulgação do Registo Oncológico Nacional e defendeu uma intervenção para acelerar a publicação dos dados. Ana Paula Martins sublinhou que esta informação é decisiva para avaliar desigualdades regionais e a eficácia dos tratamentos.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, criticou esta quinta-feira os atrasos de vários anos na divulgação dos dados do Registo Oncológico Nacional, considerando incompreensível que a informação continue por publicar apesar de existirem dados mais atualizados.
A intervenção foi feita durante a sessão comemorativa dos 85 anos da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), onde a governante assumiu a necessidade de perceber as causas do problema e encontrar soluções para acelerar a disponibilização pública destes indicadores.
Segundo Ana Paula Martins, os registos oncológicos são instrumentos fundamentais para acompanhar a evolução da doença em Portugal, avaliar a resposta do sistema de saúde e identificar eventuais diferenças regionais no tratamento dos doentes e nas taxas de mortalidade.
A ministra salientou que esta informação é igualmente essencial para medir a efetividade das terapêuticas inovadoras, perceber onde estão a ser aplicados os recursos e orientar futuras decisões de investimento.
“Se nós criámos os registos foi porque precisávamos deles”, sublinhou, defendendo que o atraso atual obriga a uma intervenção concreta por parte de quem tutela o setor.
A governante destacou que existe um atraso de cerca de sete anos na publicação dos dados e considerou que o dever do Governo passa, desde logo, por questionar as razões que explicam esta demora e atuar sobre os bloqueios identificados.
Ana Paula Martins assumiu ainda o compromisso de acompanhar pessoalmente o tema, manifestando a expectativa de que, dentro de alguns meses, seja possível registar progressos e reduzir esta defasagem entre recolha e divulgação.
Na mesma intervenção, a ministra destacou os resultados alcançados por Portugal na área da oncologia, referindo dados da OCDE divulgados em 2025 que colocam o país com taxas de mortalidade evitável cerca de 17% abaixo da média europeia.
Atribuiu este desempenho ao trabalho dos profissionais de saúde e à qualidade da resposta assegurada por hospitais e institutos de referência, apoiados por equipas multidisciplinares altamente qualificadas.
Ana Paula Martins defendeu ainda que a resposta ao cancro deve ir além do tratamento clínico, incluindo apoio psicológico, combate ao isolamento e garantia de cuidados prestados com dignidade e proximidade.
Na sessão, destacou também o papel da Liga Portuguesa Contra o Cancro nas áreas da prevenção, literacia em saúde, apoio social e psicológico, investigação e voluntariado, considerando a instituição uma referência incontornável na sociedade portuguesa.
LUSA/SO
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