Ministra admite distritos com maior mortalidade infantil e apela a que mães estrangeiras procurem serviços de saúde
Este apelo às mães estrangeiras surge na sequência de um relatório que dá conta de que, em 2024, se registou um aumento tanto no número de óbitos de fetos com mais de 22 semanas de gestação como no número de crianças nascidas vivas que morreram antes de completar um ano.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu que existem distritos em Portugal onde se registam níveis mais elevados de mortalidade infantil e apelou às mães estrangeiras para que procurem os serviços de saúde, considerando que se trata de um dos grupos mais vulneráveis. “As mães estrangeiras estão dentro das mais vulneráveis, e temos de as encontrar, com ajuda das juntas de freguesia, e precisamos que elas venham até aos serviços de saúde”, afirmou a governante aos jornalistas.
A ministra comentava o relatório divulgado na quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde, que indica um aumento da mortalidade fetal e infantil em Portugal. Segundo o documento, em 2024 registou-se um aumento tanto no número de óbitos de fetos com mais de 22 semanas de gestação como no número de crianças nascidas vivas que morreram antes de completar um ano.
De acordo com o Relatório da Mortalidade Fetal e Infantil 2022-2024, a taxa de mortalidade fetal — referente a fetos com idade gestacional igual ou superior a 22 semanas — passou de 3,9 óbitos por mil nascimentos em 2022 e 2023 para 4,1 por mil em 2024. Em números absolutos, registaram-se 325 óbitos em 2022, 340 em 2023 e 346 no ano passado.
Ana Paula Martins falava após a inauguração da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde sublinhou que, apesar do aumento registado, Portugal continua a apresentar indicadores de mortalidade infantil entre os melhores da Europa e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
A governante classificou este resultado como uma das grandes “conquistas civilizacionais” do país, salientando que o indicador se mantém baixo mesmo num contexto em que fatores sociodemográficos, como a pobreza, podem influenciar estes números. “Mas isso não nos pode deixar descansados. Sabemos que há concelhos e distritos que merecem vigilância adicional”, acrescentou.
A ministra recordou ainda que há dois anos foram feitas recomendações por uma comissão criada na DGS para avaliar os óbitos infantis, garantindo que essas orientações estão a ser seguidas. Entre os fatores de risco identificados, destacou a necessidade de reforçar a vigilância da gravidez e sublinhou que é essencial “não baixar a guarda” na monitorização das mulheres durante a gestação. Questionada pelos jornalistas, reconheceu que as mulheres estrangeiras estão entre os grupos mais vulneráveis. Segundo a ministra, o aumento da mortalidade infantil não está relacionado com eventuais problemas de falta de profissionais nas urgências hospitalares.
Ainda durante a intervenção, Ana Paula Martins comentou críticas sindicais à centralização das urgências de ginecologia e obstetrícia em Loures. A governante afirmou que, pelo trabalho desenvolvido pelas unidades locais de saúde de Loures e de Vila Franca de Xira, “tudo aponta para que a urgência concentrada no Hospital Beatriz Ângelo tenha todas as condições para se iniciar de maneira tranquila” na próxima semana.
A ministra garantiu que a maternidade de Vila Franca de Xira continuará a assegurar todos os serviços que prestava até agora, mantendo os partos e as consultas, sendo apenas partilhado noutro local o serviço de urgência. Segundo explicou, a concentração das urgências permite reforçar a segurança clínica, através de equipas mais concentradas e organizadas, além de proporcionar maior previsibilidade na resposta. “Vamos iniciar este processo, vai ser acompanhado, avaliado, e estamos aqui para fazer os ajustamentos que forem necessários”, assegurou.
SO/LUSA
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