5 Jul, 2023

Mieloma múltiplo. Hematologista realça importância de associações de doentes

O mieloma múltiplo (MM) é o terceiro tipo de cancro hematológico mais comum a nível mundial e tem “forte impacto” na vida dos doentes e cuidadores.

Mieloma múltiplo. Hematologista realça importância de associações de doentes

“Os profissionais de saúde têm de ver as associações de doentes como aliadas no apoio aos doentes com mieloma múltiplo, assim como aos seus cuidadores”, afirma Cristina Jácome. A hematologista da Fundação Champalimaud participou num Webinar da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), no passado mês de junho, que tinha como objetivo alertar para este tipo de cancro.

 

A especialista é também uma das autoras do estudo “Viver com Mieloma Múltiplo: Impacto na Vida dos Doentes em Portugal”, divulgado em março, e que contou com o apoio da APCL, da Associação de Apoio a Doentes com Leucemia e Linfoma (ADL) e da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL).

 Em entrevista ao SaúdeOnline, no âmbito do Webinar, Cristina Jácome lembrou que uma das principais conclusões do estudo foi precisamente a necessidade que os doentes e cuidadores sentem em procurar informação sobre a doença. “Estas associações podem ajudar nesse sentido, mas também no apoio psicológico ou, até, prestar esclarecimentos sobre os direitos das pessoas que vivem com MM”, acrescentou.

 Acredita assim que é preciso apostar-se mais na relação entre profissionais de saúde e associações face ao impacto “elevado” do MM na vida. “Mais de metade (52,7%) dos participantes deste estudo teve de abandonar a sua atividade profissional por causa da doença em si, dos efeitos secundários dos tratamentos e das idas frequentes ao hospital.”

“Tudo isto cria sentimentos de angústia, tristeza e confusão”, reiterou.

 

Cristina Jácome disse ainda que é preciso “apostar mais na literacia em saúde”, dando-se a conhecer uma doença rara que atinge maioritariamente pessoas mais velhas (mediana de idades de 67 anos em Portugal), mas que também pode atingir os mais jovens. “No estudo, 87,1% disse nunca ter ouvido falar de MM até ser diagnosticado; é fundamental alertar para este tipo de cancro.”

 

Este é já o quarto seminário sobre MM que a APCL organiza em parceria com a International Myeloma Foundation.

 
Texto: Maria João Garcia

 

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