18 Abr, 2022

Menos de 0,5% dos doentes têm acesso a programas de reabilitação respiratória

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta para a “diminuta disponibilidade de programas face ao elevado número de candidatos”.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta que menos de 0,5% dos doentes com indicação para reabilitação respiratória têm acesso a programas e diz que é preciso aumentar o conhecimento e formação dos profissionais, assim como o financiamento.

Num comunicado divulgado a propósito do Dia Nacional da Reabilitação Respiratória, que se assinala na quinta-feira, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) sublinha a importância de “aumentar o conhecimento e formação dos profissionais, dos doentes, melhorar a acessibilidade aos programas (em aspetos como o transporte, acesso à internet, financiamento e reembolsos) e aumentar a oferta dos programas em todos os setores do sistema de saúde”.

“O financiamento insuficiente e o grande desconhecimento sobre as mais-valias desta terapêutica por parte dos profissionais de saúde, dos sistemas de saúde/seguradoras, dos doentes e da população em geral são as principais barreiras”, consideram as pneumologistas Susana Clemente e Inês Faria, citadas no comunicado.

As duas especialistas sublinham ainda a “diminuta disponibilidade de programas face ao elevado número de candidatos”.

Destacam o papel fundamental que os cuidados de saúde primários têm no tratamento dos doentes respiratórios e sublinham a necessidade de os sensibilizar para a possibilidade terapêutica da recuperação respiratória, sugerindo ainda a criação de programas de base comunitária, com parcerias com os cuidados de saúde primários.

“Esta necessidade ficou expressa numa publicação em Diário da República em 2016, onde se determinava que, até ao final do ano seguinte, todos os ACES [Agrupamentos de Centros de Saúde] possuíssem acesso a tratamentos de reabilitação respiratória”, refere a nota, lembrando que em 2019 foram publicadas orientações da Direção-Geral da Saúde sobre os programas de reablitação respiratória nos cuidados primários. “Contudo, a acessibilidade continua a ser baixa e ainda há um longo caminho a percorrer”, insiste a SPP.

Considerada como “uma terapêutica basilar” na abordagem dos doentes respiratórios, não substituível pelo uso da medicação, a SPP lembra que a reabilitação respiratória “tem inúmeras vantagens”.

“Apesar de não recuperar a função respiratória, permite a melhoria sintomática e da qualidade de vida relacionada com a saúde e da tolerância ao esforço. Contribui, igualmente, para a redução dos episódios de agravamento da doença respiratória, dos custos relacionados com a saúde e, possivelmente, da mortalidade”, explicam Susana Clemente e Inês Faria.

As especialistas lembram ainda que, na DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), a reabilitação respiratória é uma terapêutica com uma excelente relação custo-eficácia, melhor do que a própria terapêutica farmacológica, sendo apenas ultrapassada pela cessação tabágica e vacinação anti-gripal.

“No doente cirúrgico, esta intervenção no período peri-operatório diminui a ocorrência de complicações pulmonares pós-operatórias, a duração de internamento e os custos relacionados com a saúde”, acrescentam.

A SPP diz que, nos últimos dois anos, marcados pela pandemia de covid-19, o cenário da fraca acessibilidade dos doentes aos programas de recuperação respiratória foi agravado e que a maioria dos serviços que prestam este serviço encerraram temporariamente ou diminuirão a sua capacidade de resposta.

“Esta situação deveu-se, não apenas à necessidade de medidas de controlo de infeção mais restritivas e/ou recolocação de profissionais de saúde na prestação de cuidados a doentes com covid-19, como também ao aumento dos candidatos a programas de RR [reabilitação respiratória], que passaram a incluir doentes com incapacidade funcional por covid.19”, explicam as especialistas.

Lembram ainda que a pandemia provocou também uma redução na adesão ou na retoma dos doentes aos programas de reabilitação respiratória presenciais, por receio de contágio.

Na nota, a SPP considera, por isso, fundamental assinalar o Dia Nacional da Reabilitação Respiratória lembrando os doentes, suas famílias e profissionais de saúde dos benefícios da reabilitação respiratória, reforçando que “há ainda muito trabalho a ser desenvolvido em conjunto por vários setores da saúde para que a oferta desta terapêutica seja adequada às necessidades daqueles que dela necessitam”.

LUSA

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