22 Fev, 2019

Médicos do “SNS in Black” afirmam que nunca se fizeram tantos exames no privado

O médico e fundador do movimento “SNS in Black” António Diniz afirma que em 40 anos nunca viu tantos exames a serem feitos nos privados, fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“A fatia dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica [a pedido do SNS] que é feita fora dos hospitais públicos tem vindo progressivamente a aumentar. É preciso perceber o que tem sido e é transferido para o privado, até para o Governo programar recursos”, afirmou à agência Lusa António Diniz.

Em 2017, segundo o último relatório do acesso ao SNS que está publicado, foram pagos mais de 450 milhões de euros a unidades privadas ou sociais com convenções com o Estado, tendo havido um aumento de 2,37% em relação ao ano anterior.

Só ao nível das análises clínicas, o SNS pagou a outros prestadores mais de 170 milhões de euros em 2017.

Entre 2013 e 2017 os encargos com entidades convencionadas foram sempre crescendo em cada ano.

Também o médico Filipe Froes, igualmente fundador do “SNS in Black”, dá conta deste aumento de exames feitos fora dos hospitais públicos.

“É raro ver um doente que traz um exame feito no SNS, sobretudo na área da imagiologia”, referiu em entrevista à Lusa.

Os fundadores do “SNS in Black” ou “SNS: o lado B”, que surgiu há um ano, defendem ainda que é urgente esclarecer o significado aumento do investimento no SNS que tem sido defendido pelo Governo.

“Onde foi gasto, o quanto foi gasto e quanto foi transferido para o setor privado por perda de capacidade de resposta do SNS”, especifica Filipe Froes, defendendo que não basta dizer “que se gasta mais”, sendo antes necessário explicar e provar que se gasta melhor, com planeamento.

LUSA

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