Médico de família para “TODOS, TODOS, TODOS!”
O mundo é feito de mudança, mas a inércia e a resistência sempre se lhe opõem; mas nem sempre a mudança significa melhoria. Entre nós, a MGF foi reconhecida como especialidade há mais de 40 anos e, apesar de todas as mudanças, continua a ser mais do que uma especialidade, é uma forma “especial” de fazer medicina.
Quando comparamos com o que tínhamos há 40 anos, é incontestável que as exigências e as necessidades da população, a evolução tecnológica, os recursos humanos e a organização dos cuidados de saúde são hoje totalmente diferentes. De uma equipa que se resumia a enfermeira (com formação nem sempre a mais adequada) e médico, hoje contamos com um leque vasto de outros profissionais de saúde com ótima formação. Assim, o médico de família (MF) deve adquirir habilidades de liderança e, sobretudo, de trabalho em equipa transdisciplinar, que exige inteligência emocional.
Impõe-se a integração de outros profissionais de modo a permitir a divisão de tarefas e o MF se dedicar, exclusivamente, àquilo que nenhum outro profissional pode fazer: diagnóstico e terapêutica.
O MF é responsável por tudo, mas não tem de fazer tudo. Ele deve ter elevado poder de resolubilidade: hoje temos muitos procedimentos médico-cirúrgicos padronizados, tecnologias mais seguras e amigáveis e sistemas de comunicação que, com a telemedicina, permite trabalhar em equipas alargadas e geograficamente dispersas. A subespecialização dos cuidados torna imprescindível, mais do que nunca, o papel integrador de cuidados do MF.
A MGF foi e continuará a ser o garante da acessibilidade aos cuidados de saúde. Por isso, em defesa das populações que serve deve-se opor às barreiras que afastam o utente da equipa de saúde como, por exemplo, a necessidade do SNS24 para marcar consulta ou, pior, o MF recusar consulta e enviar para o SNS24.
Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) devem deixar de ser vistos como a “porta de entrada” do sistema de saúde e passarem a ser vistos como a “sala de estar”. É nos CSP que o utente está, apenas sai dela (sala) para satisfazer necessidades de cuidados específicos que exigem elevada tecnologia, tecnicidade ou intensidade para, logo que possível, regressar.
A MGF ao não discriminar, sexo, idade, religião, doença ou condição socioeconómica é o maior fator de inclusão no sistema de saúde. Porque a MGF é a especialidade que trabalha no polo da saúde, procura preservar a saúde dos seus utentes, independentemente das doenças que possam ter. Investe, com a sua equipa alargada na literacia em saúde, procurando empoderar os utentes nos seus autocuidados, procurando o seu bem-estar sem precisarem dos serviços de saúde. Para isso, assegura todos os níveis de prevenção da doença e reconhece a sua responsabilidade na prevenção das complicações das doenças crónicas. O foco na preservação da saúde é fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde.
A evolução imparável dos sistemas de comunicação multiplicou as formas de interação MF-Utente, permitindo aumentar a efetividade dos serviços prestados, mas procurando, SEMPRE, não deixar ninguém para trás.
Parafraseio o Papa Francisco: a MGF é o garante que os cuidados de saúde sejam para “todos, todos, todos”.
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