24 Mar, 2022

Marta Temido. Enfermeiros lamentam recondução, farmacêuticos aplaudem

Bastonária dos enfermeiros diz que Marta Temido poderá "ficará na história como a pior ministra” da saúde. Já o bastonário dos farmacêuticos considera a recondução uma "notícia agradável".

A Ordem dos Enfermeiros e dos Farmacêuticos divergem na reação à recondução de Marta Temido como ministra da Saúde. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, considera “uma pena” a recondução, considerando que, se não mudar de trajetória, “ficará na história como a pior ministra” desta área. Já o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Hélder Mota Filipe, fala “numa escolha acertada”, desejando as “maiores felicidades” a Marta Temido nestes “tempos complicados” pós-pandémicos e de guerra.

“Vamos continuar a ajudar sempre, mas é uma pessoa que, se não corrigir a trajetória, fica na história como a pior ministra da Saúde”, disse à agência Lusa Ana Rita Cavaco.

A bastonária salienta que, da primeira vez que a ministra foi nomeada, a Ordem dos Enfermeiros (OE) deu o “benefício da dúvida, mas este foi um caminho muito difícil”.

“Foi uma ministra que não fala com ninguém”, diz Ana Rita Cavaco, ao considerar que Marta Temido “nunca quis discutir o internato da especialidade dos enfermeiros e não foi feita uma única reforma do Serviço Nacional de Saúde” (SNS).

Para a Ana Rita Cavaco Portugal continua com os “piores indicadores no número de enfermeiros”, tendo subido de 6,7 para 7,1 por mil habitantes por causa da pandemia da covid-19, quando a média da OCDE se situa em 8,7.

Para a bastonária, é necessária uma reforma profunda da forma de financiamento do SNS, “que não pode estar centrado nos hospitais”, mas sim nos cuidados de saúde primários e na comunidade.

“É uma notícia bastante agradável”, diz bastonário dos farmacêuticos

“É uma notícia bastante agradável”, disse à agência Lusa Hélder Mota Filipe, contando que já tiveram oportunidade de trabalhar juntos noutras situações.

“Sei a competência dela, sei o seu envolvimento relativamente à saúde e o empenho que põe no desenvolvimento da saúde em Portugal, umas vezes teve mais sucesso e, agora olhando para trás, outras vezes menos, mas é sem dúvida alguém com quem terei todo o prazer em trabalhar agora como bastonário da Ordem dos Farmacêuticos”, declarou.

“[Quero] desejar-lhe as maiores felicidades que é o que todos nós precisamos e ela em particular nestes tempos complicados pós pandémicos e de guerra”, salientou.

Para o bastonário, “a saúde vai sofrer imenso” com este contexto. “Tivemos a pandemia, deixámos os doentes não-covid significativamente para trás. Temos esse esforço todo que temos que compensar agora numa situação em que o SNS já estava com dificuldade de dar resposta e agora numa situação de guerra que do ponto de vista económico a da própria organização torna tudo ainda mais complicado”, vincou Hélder Mota Filie.

“O que temos que fazer é usar toda a capacidade disponível para tentar ao máximo recuperar a carga de doença que foi criada na pandemia numa situação que é muito, muito, complicada que é uma guerra na Europa”, defendeu o bastonário da OF.

SO/LUSA

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