25 Nov, 2021

“Imperdoável”. Médicos dizem que Marta Temido passou a “linha vermelha”

Ministra da Saúde diz que o SNS precisa de contratar médicos mais resilientes. Ordem dos Médicos fala numa "atitude provocatória e injusta" por parte de Marta Temido.

As recentes declarações da Ministra da Saúde no parlamento, onde afirmou que uma das soluções para colmatar a falta de médicos no SNS seria contratar profissionais mais resilientes, estão a gerar uma onda de contestação entre os médicos. A Ordem dos Médicos considera as palavras de Marta Temido inqualificáveis e o Sindicato Independente dos Médicos diz mesmo que a ministra “passou a linha vermelha”.

Marta Temido, que respondia a perguntas dos deputados durante uma audição da Comissão Parlamentar de Saúde sobre as “Dificuldades que o Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) está a enfrentar”, requerida pelo PCP, disse que a “resiliência” deve ser um fator a ter em conta na contratação de profissionais de saúde. Trata-se, por ventura, de um elemento tão importante “como a competência técnica”.

Afirmar que têm de ser contratados médicos mais resilientes é uma imperdoável ofensa que os médicos portugueses, exaustos por centenas de horas extraordinárias, não mais perdoarão nem esquecerão”, insurge-se o SIM, num comunicado enviado às redações ao final da tarde desta quarta-feira. Desta forma, o sindicato, liderado por Jorge Roque da Cunha, considera que estas declarações  “mais do que ultrapassaram qualquer linha vermelha que pudesse ter sido traçada” e acusa a ministra de falta de educação.
Já a Ordem dos Médicos ouviu com consternação a intervenção da ministra. Numa reação, em forma de comunicado, a Ordem diz que as declarações de Marta Temido “são inqualificáveis e impróprias para uma figura de estado que está à frente de uma área central para a vida dos portugueses”.
“A ministra acusou os médicos de não serem resilientes – numa atitude falsa e provocatória que não dignifica o lugar que ocupa e que é sempre profundamente injusta, ainda mais com as provas dadas nos últimos dois anos de dedicação extrema e superação perante a maior pandemia da história recente”, sublinha o bastonário Miguel Guimarães.
O bastonário realça ainda que “os médicos de Portugal fizeram mais com menos, salvaram milhares de vidas, fizeram muitos milhões de horas extraordinárias, foram um exemplo na forma como cuidaram, trataram e protegeram os doentes e no combate à pandemia. Os números mostram uma capacidade de resiliência invulgar elogiada a nível nacional e internacional. A ministra da Saúde perdeu toda a credibilidade.” E acrescenta: “Com esta atitude a ministra está a prejudicar de forma grave os doentes. Imperdoável”.
No parlamento, a ministra deixou também reparos aos médicos que têm denunciado a falta de condições no CHS, lembrando que “a melhor forma de atrair recursos humanos é conquistá-los para projetos de trabalho e não passar uma imagem, ou intensificar uma imagem, de que a instituição vive enormes dificuldades e num clima de confronto”.
SO
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