25 Fev, 2022

Mais de metade dos psicólogos aumentou volume de trabalho na pandemia

Inquérito ‘online’ feito pela Ordem aponta para “uma redução muito substancial” do nível de desemprego entre os psicólogos.

Mais de metade (56,7%) dos psicólogos inquiridos num estudo disseram ter aumentado “um pouco” ou “bastante” o volume de trabalho durante a pandemia, mas 1,5% teve de suspender a atividade por conta própria e 0,4% entrou em ‘lay-off’.

Promovido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), o estudo visou caracterizar a adaptação da prática profissional dos psicólogos das diferentes áreas e contextos de atividade à situação de pandemia, desde março de 2020.

O estudo “Condições socioprofissionais dos psicólogos face à Pandemia” decorreu entre 03 de setembro e 06 de outubro de 2021 e envolveu 1.759 participantes.

Antes da pandemia, 4,1% dos psicólogos inquiridos estavam desempregados ou à procura de atividade profissional enquanto psicólogo, percentagem que caiu para 1,5% depois da pandemia.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário da OPP afirmou que o “aumento substancial” do volume de trabalho reportado pelos psicólogos reflete “a procura que a população faz dos seus serviços” e o “nível de atividade em termos de emprego versus desemprego da profissão”.

Francisco Rodrigues salientou que o inquérito ‘online’ anónimo aponta para “uma redução muito substancial” do nível de desemprego, colocando-o em valores “muito pequenos”, considerando este dado “muitíssimo importante” relativamente à valorização da profissão.

Para esta redução, adiantou, também contribuiu a contratação de mais de 500 psicólogos para as escolas durante a pandemia.

“Infelizmente esse dado, que é um dado positivo, está depois ligado a um aspeto, que é um dos fatores de risco para a profissão e para o seu bem-estar, que é a precariedade”, referiu.

O bastonário disse que “um pouco mais de 20%” dos profissionais está numa “situação precária” relativamente ao seu vínculo laboral.

A forma de trabalhar também mudou para muitos psicólogos. Antes da pandemia 51,9% dos inquiridos nunca tinham realizado intervenções psicológicas à distância, uma percentagem que caiu para 7,4% durante a pandemia, sendo o serviço de videoconferência o mais utilizado (89%).

No entanto, mais de dois terços (68%) continuam a preferir a intervenção presencial e apenas 2,4% a modalidade à distância . Ainda assim, 57,6% pretendem manter este tipo de intervenção no futuro, refere o estudo, indicando que a adaptação foi fácil ou muito fácil para quase metade dos inquiridos.

Para Francisco Rodrigues, esta “grande adaptação” dos psicólogos é “muito importante para o desenvolvimento da profissão”, mas também para facilitar a acessibilidade das pessoas aos serviços.

Outra das conclusões do estudo revela que cerca de 40% dos inquiridos disseram ter piorado o nível de bem-estar psicológico desde o início da pandemia e 24,2% apresentam sintomas ou sinais de ‘burnout’.

Questionado sobre estes dados, o bastonário afirmou que “os psicólogos são humanos e, por isso, seria estranho que também não fossem afetados no seu bem-estar com alguns problemas decorrentes da pandemia”, mas salientou que 87,6% dos inquiridos adotaram estratégias “muito diversificadas, adequadas e muito eficazes” para lidar com os impactos na sua saúde mental”.

Entre essas estratégias, 76,1 disseram recorrer ao suporte social de amigos e família, 70,1% fazem “uma boa higiene do sono” e 68,6% mantêm uma atitude positiva no trabalho.

Há ainda 21,3% que desempenha atividades profissionais noutras áreas, 24,1% recorre a psicoterapia, desenvolvimento pessoal e/ou ‘coaching’ psicológico, 45% desconecta-se do trabalho (email, SMS, telefone) e 61% dizem manter o equilíbrio entre o trabalho e vida pessoal.

Para Francisco Rodrigues, a generalidade dos resultados são “francamente positivos”: “Mostram uma profissão cada vez mais acessível, presente, preparada e cada vez mais reconhecida porque de outra forma estes indicadores não estariam a ser atingidos deste modo”.

Há “algumas preocupações” que a OPP terá que dar resposta, colocando “rapidamente no terreno medidas que apoiem” os profissionais, disse o bastonário da OPP, entidade que representa cerca de 25.000 profissionais.

“Ao longo da pandemia fomos dando resposta em termos de apoio aos psicólogos a vários níveis e agora também estamos a preparar mais respostas que possam apoiar ainda mais no futuro os profissionais naquelas que podem ser algumas das vulnerabilidades apontadas no estudo e alguns problemas que sejam mais visíveis”, adiantou.

LUSA

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