28 Jun, 2021

Maioria dos partos em casa foram assistidos por médicos. Ordem desaconselha a prática

A Ordem dos Médicos já está a investigar a participação de clínicos em partos em casa – que cresceram mais de 70% em 2020.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) revelou que ocorreram cerca de 1100 partos em casa o ano passado. Desses, apenas 2,8% não tiveram assistência de profissionais de saúde – 63% tiveram assistência médica, 29% por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica e 1% por enfermeiros, avança o Público.

O presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos (OM), João Bernardes referiu ao Público que estes números o deixam “muito surpreendido, principalmente com “esses 63% de partos em casa com assistência”.

O médico lembra que “ a Ordem sempre desaconselhou e continua a desaconselhar o envolvimento de profissionais médicos nos partos no domicílio”. Perante estes dados, a OM já se encontra a investigar, pois considera que a participação de médicos em partos em casa configura uma má-prática médica.

João Bernardes recorda a análise da DGS sobre a maternidade materna em 2017/2018, que alertaram para os riscos de um parto em casa: “os partos fora do hospital tiveram uma mortalidade materna 25 vezes superior àqueles realizados no hospital”.

A OM já está a investigar um profissional de saúde que realizava partos em casa e a Ordem dos Enfermeiros (OE) revelou ao Público que abriu três inquéritos para investigar três profissionais, sendo que um já foi suspenso de funções.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020 nasceram 1100 (número inferior ao revelado pela DGS) bebés em partos domésticos, o que representa um aumento de 72% face ao ano anterior. As restrições à presença de companheiros ou companheiras nos hospitais a assistir ao parto e receios sobre uma possível contaminação e infeção por covid-19 em ambiente hospitalar estão na origem da realização destes partos.

SO

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