Inteligência Artificial vai reforçar diagnóstico médico e reduzir erros, defende investigador brasileiro
A Inteligência Artificial vai reforçar diagnóstico médico e reduzir erros, defende investigador brasileiro, que vai estar no XVI Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão, em Lisboa.

O investigador brasileiro Guilherme Hummel defende que, no futuro, os médicos serão tanto melhores quanto menos dependerem apenas de si próprios para diagnosticar, sublinhando que a Inteligência Artificial (IA) vai ganhar um papel central na antecipação de diagnósticos e na redução de erros clínicos.
Autor de várias publicações sobre IA aplicada à saúde, Hummel acredita que a inteligência artificial generativa “vai mudar tudo” na relação entre os utentes e os sistemas de saúde, desde logo facilitando o acesso. “A IA muda todas as características das práticas médicas até hoje usadas nas cadeias globais de saúde”, afirmou em entrevista à Lusa, lembrando o envelhecimento da população, o aumento da procura de cuidados e a falta de capacidade dos sistemas de saúde para responder a estas necessidades.
Reconhecendo o receio de muitos pacientes em confiar na tecnologia, o investigador compara os tempos de consulta — entre sete a 12 minutos, no caso do Brasil — com a capacidade da IA de analisar grandes volumes de informação. “O médico, sob pressão, pede exames para confrontar dados. Já a IA consegue cruzar décadas de historial clínico de forma muito mais rápida e precisa”, explicou.
Segundo Hummel, a média de precisão diagnóstica de um médico ronda atualmente os 30 a 40%, subindo para 40 a 50% em países que recorrem mais à tecnologia. “Com o apoio da IA, em 2030 ou 2035 poderemos alcançar níveis acima dos 60%”, prevê.
Como exemplo, destacou que, “hoje, com um simples exame de retina, a IA é capaz de gerar 10 a 12 diagnósticos distintos, incluindo doenças cardiovasculares”. Para o especialista, grande parte do diagnóstico médico será no futuro feito por máquinas, embora a decisão final continue a caber ao médico. “A última palavra será sempre do médico, que pode verificar as fontes de informação usadas pela IA — literatura científica ou ensaios clínicos — e confirmar os dados. Quem assina o laudo final é o médico, daí a resistência que ainda existe”, sublinha.
Conselheiro em saúde digital para diversas organizações, incluindo a Organização Mundial da Saúde e a Fundação Rockefeller, Guilherme Hummel vai participar no próximo dia 18 de setembro, em Lisboa, numa conferência sobre IA na saúde, integrada no XVI Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão. O investigador promete trazer exemplos práticos da aplicação da tecnologia, incluindo casos clínicos em que diferentes agentes virtuais colaboram com médicos no diagnóstico de doenças complexas.
SO/LUSA
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