i3S celebra 10 anos a impulsionar medicina de precisão e inovação em saúde no Porto
Atualmente, o i3S integra mais de 1.300 pessoas de 39 nacionalidades, entre investigadores, técnicos e estudantes, e desenvolve mais de 300 projetos científicos.

O i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde assinala uma década de atividade com um forte compromisso na medicina de precisão, uma abordagem baseada na genética dos doentes que poderá abrir caminho ao desenvolvimento de vacinas contra o cancro.
Em declarações à Lusa, o diretor do instituto, Claudio Sunkel, sublinhou a importância de tratamentos cada vez mais personalizados. “Os tratamentos têm de ser mais direcionados para as características genéticas da pessoa. Quanto mais conhecemos as bases genéticas das doenças, melhor podemos fazer os tratamentos”, afirmou, destacando os avanços rápidos sobretudo na área oncológica.
Segundo o responsável, cada caso de cancro apresenta características próprias, o que impede abordagens uniformes. Nesse sentido, o i3S tem explorado estratégias que potenciem o sistema imunitário de cada doente para combater a doença de forma mais eficaz.
A medicina de precisão — também conhecida como genómica ou personalizada — é uma das grandes apostas futuras do instituto, abrangendo não só o cancro, mas diversas patologias. O i3S já tem em curso dois projetos de grande dimensão nesta área, com potencial para posicionar Portugal na linha da frente da investigação internacional.
Resultado da fusão de três institutos ligados às ciências da saúde da Universidade do Porto, o i3S apresentou também candidaturas de grande escala com o objetivo de afirmar o norte do país como um polo de desenvolvimento nesta área emergente.
Outro dos campos em crescimento é a bioimpressão. Esta tecnologia permite cultivar amostras de tecidos humanos em laboratório, recorrendo a impressoras 3D, reduzindo a necessidade de testes em animais e acelerando o desenvolvimento de novos fármacos.
Ao longo dos últimos dez anos, o i3S consolidou-se como um centro de excelência em ciências da saúde, tanto a nível nacional como internacional. Entre os principais indicadores de sucesso destacam-se sete bolsas do Conselho Europeu de Investigação, que representam mais de 100 milhões de euros, mais de 700 projetos financiados e um total de 175 milhões de euros em financiamento competitivo.
A atividade do instituto inclui ainda cerca de 500 doutoramentos, o envolvimento de aproximadamente 100 mil alunos em iniciativas educativas e um programa de empreendedorismo dinâmico. Atualmente, o i3S integra mais de 1.300 pessoas de 39 nacionalidades, entre investigadores, técnicos e estudantes, e desenvolve mais de 300 projetos científicos.
Entre as investigações em curso, destacam-se os estudos liderados por Salomé Pinho sobre a doença de Crohn, Mónica Sousa na regeneração do sistema nervoso em casos de paralisia, e Elsa Logarinho sobre envelhecimento, com resultados promissores em testes laboratoriais.
Inaugurado a 19 de maio, o i3S iniciou atividade com 51 grupos de investigação, 126 projetos e um orçamento anual de 20 milhões de euros. A sua criação resultou da união do IBMC, INEB e Ipatimup, tendo a Universidade do Porto construído de raiz, no polo da Asprela, um edifício com 18 mil metros quadrados, num investimento de 21,5 milhões de euros, maioritariamente financiado por fundos comunitários.
SO/LUSA
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