Hipertensão
Interna de Medicina Geral e Familiar na USF do Arco, ULS S. José

Hipertensão

A hipertensão arterial (HTA) é a principal causa de mortalidade cardiovascular a nível mundial e estima-se que, em Portugal, a prevalência desta doença seja de cerca de 43,1%. É definida como uma elevação persistente da tensão arterial (TA) traduzida numa tensão arterial sistólica (TAs) superior a 140 mmHg e/ou uma tensão arterial diastólica (TAd) superior a 90 mmHg, no consultório, confirmada numa consulta subsequente.

Alternativa e idealmente, a confirmação poderá ser feita fora do consultório, através da automonitorização da pressão arterial (AMPA), em que estabelecemos o diagnóstico com valores iguais ou superiores a 135/85 mmHg, ou da monitorização ambulatória de pressão arterial (MAPA), que diagnostica HTA com qualquer valor igual ou superior a um dos seguintes: 130/80 mmHg na média das 24h, 135/85 mmHg como média diurna e/ou 120/70 mmHg como média noturna.

O AMPA é realizado pelo próprio utente, através de medições de TA em casa, utilizando dispositivos validados (www.stridebp.org), e após realização de ensinos sobre as regras de boas práticas na medição da TA.

O MAPA de 24h, cuja requisição a nível dos cuidados de saúde primários passou a ser comparticipada desde o ano corrente, consiste na medição da TA durante 24h, com intervalos de 15 a 30 minutos durante o dia, e de 30 a 60 minutos durante a noite. Para ter validade, este exame deve ter pelo menos 20 medições no período diurno e 7 no período noturno, contando com um mínimo de 70% de medições válidas. Este permite ainda a deteção do perfil de dipping do utente, permitindo detetar precocemente utentes com perfil non-dipper, extreme dipper e reverse dipper, que têm associados um aumento de risco cardiovascular e de mortalidade.

Os utentes que controlam a TA em menos de 6 meses após o diagnóstico, têm melhores outcomes no futuro, tornando imperativa uma atitude terapêutica ativa. A terapêutica não farmacológica é essencial no controlo desta doença. Deve ser fomentada a implementação 150 minutos por semana de atividade moderada/intensa, alimentação saudável com controlo da ingestão de sal, cessação tabágica, entre outras estratégias.

É também necessário implementar, desde o momento do diagnóstico, uma terapêutica farmacológica de controlo tensional, sendo recomendada a terapêutica dupla como primeira linha: um inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou um antagonista dos recetores da angiotensina II (ARA) associado a um bloqueador de canais de cálcio (BCC) ou diurético tiazídico/tiazídico-like. É importante ressalvar que, apesar da importância de estabelecer o perfil do utente, não está recomendada a cronoterapia, sendo a prioridade a adesão à terapêutica e a adequação da mesma aos horários e estilo de vida do utente.

Relembro ainda que não há apenas uma abordagem para todos. As guidelines mais recentes admitem valores de diagnóstico diferentes para idosos acima dos 80 anos, permitindo uma TAs até 160 mmHg, e admitindo como terapêutica inicial a monoterapia.

 

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