12 Nov, 2021

Há cerca de 4 mil diabéticos em tratamento com bombas de infusão de insulina

O governo garante que "no próximo ano, serão incluídos neste programa, pela primeira vez, dispositivos híbridos e microbombas (bombas inteligentes)".

Cerca de 4 mil diabéticos estão em tratamento em Portugal com bombas de perfusão subcutânea contínua de insulina, um número que tem vindo a crescer desde 2018, avançou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Na cerimónia do 100.º aniversário da descoberta da Insulina, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, António Lacerda Sales realçou a inovação observada na área da diabetes, uma doença que afeta mais de um milhão de portugueses.

“Se outrora os doentes tinham de injetar-se com insulina, hoje existem modernos dispositivos que melhoraram a sua qualidade de vida”, afirmou o governante, apontando as bombas de infusão de insulina.

Segundo o governante, o número de pessoas em tratamento com estes dispositivos tem sido crescente: “Temos atualmente cerca de 4.000 pessoas em tratamento, quando no final de 2018 tínhamos pouco mais de 2.300”.

“Em 2021, no âmbito do programa de tratamento com Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina do Programa Nacional para a Diabetes, foram adquiridos dispositivos para todos os doentes com indicação, sem limite de idade, de acordo com a capacidade de colocação dos centros de tratamento”, sublinhou.

Anunciou ainda que no próximo ano serão incluídos neste programa, pela primeira vez, dispositivos híbridos e microbombas (bombas inteligentes).

“Ainda que para um número limitado de doentes, este será um salto qualitativo importante no tratamento das pessoas com Diabetes tipo 1”, afirmou.

Para Lacerda Sales, os 100 anos da descoberta da insulina são também um momento para refletir sobre o presente e projetar o futuro.

“Globalmente, as doenças crónicas não-transmissíveis colocam desafios gigantes aos sistemas de saúde. Só em Portugal, mais de um milhão de pessoas são afetadas pela diabetes e pelo menos uma em cada três pessoas estão risco de desenvolver a doença. Isto significa que Portugal apresenta uma prevalência elevada de diabetes”, salientou.

No seu entender, esta realidade merece “uma especial atenção” de todos, porque é um problema de saúde que “afeta quase todas as famílias e que tem impacto forte na sociedade em geral”.

“Todos nós, Governo, entidades públicas e privadas do sector da saúde temos em mãos um enorme desafio que necessita de acompanhamento e conhecimento, mas necessita também de um planeamento estratégico constante”, defendeu.

Na sua intervenção, Lacerda Sales elogiou o empenho dos Cuidados de Saúde Primários por promoverem o aumento do diagnóstico precoce da doença, tendo registado, entre 2018 e 2020, mais de 2,4 milhões de cálculos de risco de desenvolver diabetes e diagnosticado entre 60.000 a 70.000 novos casos de diabetes por ano.

Sublinhou ainda que, embora se verifique uma tendência crescente no consumo e custos com a medicação para a diabetes, tem-se registado uma diminuição da mortalidade por esta causa.

“Mas sabemos que, apesar de uma evolução positiva em alguns indicadores, ainda há um longo caminho a percorrer e para melhorar”, reconheceu.

Lacerda Sales disse que um dos maiores problemas da diabetes são as suas complicações, como cegueira, insuficiência renal com necessidade de hemodiálise, amputações dos membros inferiores, enfartes ou demência.

Por isso, defendeu, o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir eventuais complicações, o que só pode ser concretizado por “políticas ativas” que vão ao encontro das pessoas como “a recuperação das consultas de pé diabético nos cuidados de saúde primários” e “unidades bem definidas e vocacionadas para o tratamento do pé diabético nos hospitais”.

LUSA

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