17 Abr, 2020

Fundação Champalimaud avança com testes serológicos a enfermeiros

A Fundação inicia na próxima semana testes serológicos à covid-19 a 667 enfermeiros e assistentes operacionais dos hospitais de Santa Maria e Santo António.

Trata-se de um projeto-piloto em colaboração com a Ordem dos Enfermeiros.

A data foi avançada pela Fundação, que, numa nota, refere que a iniciativa abrange 191 enfermeiros e 136 assistentes operacionais do Hospital de Santa Maria e 186 enfermeiros e 154 assistentes operacionais do Hospital de Santo António. Todos “estão em contacto direto” com doentes com covid-19.

Os testes serológicos, que consistem na prática na recolha de uma amostra de sangue, permitirão atestar a imunidade à covid-19 em pessoas sem sintomas, ao pesquisarem anticorpos contra o novo coronavírus, que causa a doença respiratória aguda.

Justificando a iniciativa, a Fundação Champalimaud assinala que os testes “revestem-se da maior importância para os profissionais de saúde, uma vez que estão mais expostos ao risco, entre os quais enfermeiros e assistentes operacionais”.

Especialistas, nomeadamente imunologistas, têm defendido que os testes serológicos são uma ferramenta útil para se perceber quem está mais protegido ou exposto ao coronavírus SARS-CoV-2 e pode ou não retomar progressivamente a sua vida normal, como trabalhar. Ou saber que profissionais de saúde podem ou não continuar na linha da frente dos cuidados aos doentes.

Contudo, os especialistas advertem que os testes serológicos – que procuram anticorpos no soro sanguíneo – só serão eficazes se identificarem anticorpos específicos para o novo coronavírus, não sendo certo qual o grau de imunidade conferida (se é duradoura ou não) a ponto de evitar uma reinfeção.

Há uma semana, o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, laboratório nacional de referência na dependência do Ministério da Saúde, anunciou o início da realização de testes serológicos, numa fase piloto, a cerca de 1.700 pessoas no final de abril ou na primeira semana de maio.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, tem defendido que sejam feitos mais testes aos enfermeiros, incluindo os assintomáticos, que podem estar infetados sem o saber porque não manifestam sintomas, como tosse, febre ou dificuldade em respirar.

SO/LUSA

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