O projeto deverá arrancar na próxima semana com 10 doentes que estiveram internados e que “têm critérios clínicos para alta, mas que ainda não tem os critérios de cura, o que implica um acompanhamento ainda por alguns dias no domicílio”, revelou à agência Lusa o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez.

Para cada doente, é necessário um ‘kit’ que engloba sensores com alguns parâmetros, um telemóvel que está em ‘bluetooth’ com esses sensores, sendo a informação enviada para uma central que está no Serviço de Doenças Infecciosas, explicou o infeciologista.

“É um projeto relativamente novo em Portugal que já estava a ser seguido pelo Serviço de Cardiologia do Hospital Santa Marta, do Centro Hospitalar de Lisboa Central, e que agora vai ser adaptado ao Serviço de Doenças Infecciosas no sentido de monitorizar à distância doentes infetados por esta nova doença e que estão em hospitalização domiciliária”, sublinhou.

 

Santa Marta já usa sistema há dois anos

 

O diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Marta, Rui Cruz Ferreira, disse por seu turno à Lusa que este sistema é utilizado há dois anos no seu serviço para acompanhar a evolução dos doentes com insuficiência cardíaca, que exigem cuidados constantes.

“Nós pensámos que podíamos, atendendo à atual situação, extrapolar um bocadinho e utilizar [o sistema] noutras situações”, nomeadamente na infecciologia, uma vez que “grande parte” das situações dos doentes infetados com o novo coronavírus (SARS-CoV-2) seguem a sua evolução e a sua recuperação no domicílio”, afirmou Cruz Ferreira.

Para isso, explicou, foram feitas “umas ligeiras alterações” nos sensores utilizados para incluir a componente saturação periférica de oxigénio, que “vai dar o indicador preciso de forma a detetar as situações de falta de ar”.

Além da saturação periférica de oxigénio, é também acompanhada a frequência cardíaca e a temperatura do doente, possibilitando desta forma detetar precocemente qualquer agravamento clínico, disse o cardiologista, explicando que, para cada doente, são definidos alarmes específicos.

O infecciologista Fernando Maltez acrescentou que o sistema permite de “uma forma fácil, acessível, ter uma avaliação da situação clínica dos doentes”, perceber se têm necessidade de voltar para o hospital, se estão bem no domicílio ou se requerem algum cuidado extra ou algum medicamento.

Segundo Fernando Maltez, “é um sistema inovador” na área da covid-19, que só estará a ser aplicado na Austrália, nos Estados Unidos e na Irlanda.

“Em Portugal, nós seremos o primeiro serviço a recorrer a este sistema de vigilância”, salientou.

Com este sistema será “mais fidedigno” o acompanhamento dos doentes, porque os médicos não ficam limitados a uma informação telefónica e, por outro lado, os doentes têm uma “sensação de maior segurança” e de “maior qualidade no acompanhamento clínico que lhe está a ser prestado”.

Questionado sobre se o Curry Cabral tem conseguido dar resposta a todos os casos de covid-19, Fernando Maltez afirmou que, até ao momento, sim.

“Até ao momento, felizmente, ainda não há sobrelotação dos serviços, temos conseguido digerir com alguma folga todos os doentes, toda a procura de internamento e toda a procura de internamento em cuidados intensivos”, disse, rematando: “eu diria que neste momento estamos confortáveis”.

SO/LUSA

 

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